Energia cara prejudica irrigação e contribui para queda nas safras de feijão e arroz

terça-feira, 21 de julho de 2015 17:44 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os altos custos de energia elétrica no Brasil este ano já afetam a produção de diversas culturas agrícolas que utilizam irrigação e deverão contribuir para uma redução na próxima colheita de arroz e feijão, disseram especialistas.

A área irrigada no Brasil é de 5,8 milhões de hectares, equivalente a 8 por cento de toda a área plantada no país, segundo dados a Agência Nacional de Águas e do IBGE.

Cana-de-açúcar, arroz, soja, milho e feijão são as culturas que mais ocupam áreas irrigadas, mas o sistema também é usado para produção de frutas, café e hortaliças, por exemplo.

"A energia vem sendo o principal vilão do custo de produção", disse à Reuters o presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Henrique Dornelles.

Os gaúchos produziram na safra passada 8,6 milhões de toneladas de arroz, ou cerca de 70 por cento do total produzido no país.

"Para a safra que foi colhida no primeiro semestre, dependendo da região, aumentaram em mais de 100 por cento os custos", disse ele, lembrando que toda as lavouras de arroz do Estado são irrigadas, fazendo uso intensivo de bombas hidráulicas.

Segundo Dornelles, o aumento de custos, somado a preços ruins na venda do produto e incertezas sobre o clima, poderá levar a uma redução de pelo menos 5 por cento na área plantada com o cereal no Estado em 2015/16, que acontece nos últimos meses do ano.

Após dois anos de intensa seca no Brasil, que prejudicou a geração nas hidrelétricas e obrigou o acionamento de todas as usinas térmicas, que têm custo de produção mais elevado, a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou um reajuste médio de 23,4 por cento para as tarifas de eletricidade a partir de março.   Continuação...