Financiamento será questão chave em leilão de energia A-3

terça-feira, 21 de julho de 2015 19:09 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar da elevação nos preços teto, o leilão de energia A-3 deste ano, que contratará usinas para início de fornecimento em 2018, ainda é desafiador e favorece empresas consolidadas no setor, principalmente devido ao financiamento mais caro e escasso e desvalorização na taxa de câmbio, apontam especialistas ouvidos pela Reuters.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira preço teto de 218 reais por megawatt-hora (MWh) para térmicas a gás e biomassa, 64 por cento acima do praticado em 2014. Para as eólicas, o teto saltou 38 por cento, de 133 reais por MWh para 184 reais por MWh. Já pequenas hidrelétricas (PCHs) terão preço 45 por cento superior, de 216 reais por MWh.

"As condições de financiamento pioraram demais, demais mesmo. A viabilidade de preço vai passar muito por essa questão", disse o diretor da consultoria PSR Luiz Barroso, citando tanto os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quanto das instituições privadas.

"Em geral, o setor esperava preços maiores", resumiu a diretora da Thymos Energia, Thaís Prandini, lembrando dos desafios econômicos.

"A economia piorou, os projetos ficaram mais caros, não tem jeito. Antes o BNDES financiava mais. Outro ponto é (o aumento) da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)... e (a valorização do) dólar, que impactou bastante a previsão de investimento."

O consultor Silvio Areco, da Andrade & Canellas, disse que embora o aumento dos preços teto seja "uma sinalização importante", os empreendedores estão mais apreensivos e o governo já não está em uma situação privilegiada para contratar energia como em certames anteriores.

"Você precisa neste momento começar a constituir uma realidade aderente a essa situação atual do país. Muita coisa mudou do ano passado pra cá... deve dar jogo, mas não é nada que vá bombar", afirmou Areco.

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