Indústria de energia eólica prevê atingir meta de conteúdo local do BNDES em 2016

quarta-feira, 22 de julho de 2015 13:29 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Todos os fabricantes de equipamentos para a indústria de energia eólica atualmente habilitados a ter financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devem atingir as metas de conteúdo local exigidas pelo banco para seguir nessa lista em 2016, prazo final de um plano gradativo de aumento de nacionalização das máquinas.

A avaliação é da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), o que representa um alívio para o mercado que lida com uma disputa por turbinas pelos investidores acirrada às vésperas de cada leilão para contratação de energia.

"A indústria está fazendo um esforço muito grande para atender e está atendendo, até supreendendo positivamente. Com alguma dificuldade, a indústria está vencendo esse desafio de dar conta das exigências colocadas, que no curto prazo achamos que foram razoavelmente fortes", disse à Reuters a presidente da Abeeólica, Elbia Silva Gannoum.

Os fornecedores que atendem requisitos do BNDES são a americana GE, a francesa Alstom, as espanholas Gamesa e Acciona, a alemã Enercon e a brasileira WEG, que disse nesta semana, em nota de imprensa, ter sido a primeira a atingir as metas do banco de fomento para 2016.

O BNDES divulgou no final de 2012 um cronograma que contemplava seis etapas, ao final das quais os fabricantes devem comprovar a montagem em unidade própria no Brasil e com determinados componentes locais da "nacelle", peça considerada o cérebro da tecnologia eólica.

A chefe do departamento de energias alternativas do BNDES, Lígia Chagas, afirmou à Reuters em entrevista no mês passado que a adequação das empresas representou investimentos de cerca de 1 bilhão de reais na cadeia de fornecedores.

"Quando foi lançada a metodologia, houve muita gente no mercado falando que não seria possível alcançar o nível pretendido (de nacionalização), mas agora notamos que não é só possível, como atraímos fabricantes de componentes que não foram exigidos naquele momento", disse Lígia.

As mudanças tiraram grande parte da competitividade no Brasil de empresas como a indiana Suzlon, a dinamarquesa Vestas e a alemã Siemens, que não conseguiram atender aos requisitos.   Continuação...

 
Gado pasta perto de turbinas eólicas em Paracuru, no Ceará. 24/04/2009 REUTERS/Stuart Grudgings