Governo reduzirá meta fiscal a 0,15% do PIB em 2015; alvo de 2016 também será menor, diz fonte

quarta-feira, 22 de julho de 2015 14:45 BRT
 

Por Patricia Duarte e Luciana Otoni

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O governo brasileiro vai reduzir a meta de superávit primário para 2015 a 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) diante do cenário de fraca economia, segundo fontes do governo ouvidas pela Reuters nesta quarta-feira, e fará o mesmo movimento para o alvo de 2016, disse uma das fontes.

O anúncio da nova meta deste ano --que deve ser feito pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) durante divulgação do Relatório de Receitas e Despesas, nesta tarde-- deverá ser seguido de anúncios de novos cortes no Orçamento para mostrar compromisso com a austeridade fiscal, disseram as fontes.

A meta de economia para pagamento de juros para este ano está fixada em 66,3 bilhões de reais, o equivalente a 1,1 por cento do PIB, e será reduzida a 0,15 por cento do PIB, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto. Segundo uma das fontes, a meta deste ano será dividida da seguinte forma: 0,10 por cento para o governo federal e 0,05 por cento para Estados e municípios.

O corte da meta mostra o quanto está sendo difícil para o governo da presidente Dilma Rousseff fortalecer as finanças do país depois de anos de excessos e em meio a uma dolorosa desaceleração econômica.

Muitos economistas do mercado esperavam que o superávit primário fecharia o ano entre 0,6 por cento e 0,8 por cento do PIB, refletindo a expectativa de que a economia caia quase 2 por cento neste ano.

Mas o governo vai anunciar uma redução da meta mais intensa, também tendo como pano de fundo cenário político muito conturbado, com medidas de austeridade sofrendo para ser aprovadas no Congresso Nacional.

Em 12 meses até maio, último dado disponível, setor público brasileiro (governo central, Estados, municípios e estatais) acumulou déficit primário equivalente a 0,68 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resistiu inicialmente a reduzir a meta por temer que enviaria o sinal errado aos mercados sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal.   Continuação...