Dólar tem maior alta em quase 2 meses e vai a R$3,2257

quarta-feira, 22 de julho de 2015 17:22 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com a maior alta percentual frente ao real em quase dois meses nesta quarta-feira, refletindo preocupações com a situação fiscal do governo brasileiro e acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana nos mercados externos, diante de expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos ainda neste ano.

O dólar avançou 1,65 por cento, a 3,2257 reais na venda, maior alta desde 26 de maio, quando avançou 1,68 por cento.

As atenções do mercado nesta quarta-feira se voltaram para a expectativa de anúncio pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, nesta tarde, de uma nova meta de superávit primário para este ano.

Duas fontes do governo afirmaram à Reuters a meta de superávit primário para 2015 será reduzida de 1,1 por cento para 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Uma das fontes disse que o objetivo para 2016 também será reduzido.

"Uma redução muito significativa na meta pode alertar as agências (de classificação de risco) de que a situação no Brasil vai demorar muito mais para melhorar", disse o operador Glauber Romano, da corretora Intercam.

A grande preocupação do mercado é que o Brasil, por conta da deterioração das contas públicas, venha a perder o cobiçado grau de investimento pelas agências de agências de classificação de risco.

"A chance de perder o grau de investimento assusta muita gente, principalmente estrangeiros. Se parecer que o Brasil está caminhando para isso, o mercado vai piorar significativamente", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

O mercado já precificou a possibilidade da agência Moody's de cortar o rating soberano brasileiro para o último patamar dentro do grau de investimento, depois de recente missão da agência ao país, mas teme que a agência atribua perspectiva negativa para a nota.   Continuação...