Governo reduz metas fiscais até 2017 e possibilita abatimento do alvo neste ano

quarta-feira, 22 de julho de 2015 21:00 BRT
 

Por Luciana Otoni e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira redução drástica das metas de superávit primário neste e nos próximos dois anos, devido à frustração da receita em meio a um cenário de contração econômica, e elevou os cortes de despesas em 2015 em 8,6 bilhões de reais.

Alem disso, também abriu a possibilidade de abater até 26,4 bilhões de reais do alvo deste ano o que, no limite, pode até gerar novo déficit primário.

A meta para a economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida pública foi reduzida em 2015 para 8,747 bilhões de reais, ou 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra 66,3 bilhões de reais, ou 1,1 por cento do PIB, previstos até então, anunciaram os ministérios do Planejamento e da Fazenda.

O governo também anunciou redução da meta fiscal de 2016 e 2017 para, respectivamente, 0,7 e 1,3 por cento do PIB. O objetivo anterior para cada um dos próximos dois anos era de 2 por cento do PIB, percentual que agora só deverá ser alcançado em 2018.

As alterações das metas fiscais deste e do próximo ano precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional, via projeto de lei encaminhado pelo governo, num momento de crise política entre Executivo e Legislativo.

"Apesar de estarmos reavaliando a meta, nosso compromisso

é de continuar a garantir a disciplina fiscal", disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acrescentando que mudança na meta é algo "excepcional" e que o esforço do governo será para mostrar resultados acima dos novos parâmetros.

A mudança da meta deste ano, segundo Levy, foi necessária por causa de forte frustração das receitas, em meio a um quadro de contração econômica. A previsão de receita líquida foi reduzida em um pouco mais de 46 bilhões de reais, para 1,112 trilhão de reais. Além disso, a estimativa de despesas subiu em 11,4 bilhões de reais, principalmente por conta de gastos maiores com abono e seguro desemprego e de benefícios previdenciários.   Continuação...

 
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy (E), e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa (D),  anunciaram redução da meta de superávit fiscal em entrevista coletiva em Brasília 22/07/2015.  REUTERS/Ueslei Marcelino