ANÁLISE-Redução de meta fiscal eleva chances de rebaixamento do Brasil e adia corte de juros

quarta-feira, 22 de julho de 2015 23:07 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O corte das metas fiscais deste e dos próximos dois anos aumentou o risco de o Brasil vir a perder o seu grau de investimento e jogou ainda mais para o futuro a possibilidade de queda do juro básico no país.

"O mercado vai achar muito difícil acreditar em novas promessas. Uma redução era esperada, mas uma redução tão grande e em prazos tão longos mostra uma falta de empenho do governo para implementar esforço fiscal", afirmou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

O governo anunciou nesta quarta-feira redução da meta de superávit primário deste ano para 8,747 bilhões de reais, ou 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 66,3 bilhões de reais, ou 1,1 por cento do PIB, devido à frustração da receita em meio a um cenário de contração econômica. As metas para 2016 e 2017 foram reduzidas para 0,7 e 1,3 por cento do PIB, respectivamente, ante meta anterior de 2 por cento.

Além disso, anunciou que poderá abater da meta fiscal deste ano até 26,4 bilhões de reais, caso haja frustração de receita esperada com medidas que também dependem de aprovação do Congresso Nacional.

"Grosso modo, o governo pode até ter déficit primário", afirmou Petrassi.

Economistas acreditam que as decisões não serão bem recebidas pelos mercados financeiros e devem alimentar apostas nas mesas de operação de que as agências Fitch e Moody's podem, além de rebaixar o rating brasileiro para o último degrau do grau de investimento, colocar a nota brasileira em perspectiva negativa. Com isso, aumentariam as chances do Brasil vir a perder no futuro o tão cobiçado grau de investimento.

A agência Standard & Poor's é a única das três grandes agências que já rebaixou a classificação do país para o último degrau do grau de investimento, mas perspectiva estável. A expectativa é que a Moody's se manifeste em breve sobre a nota brasileira após visita ao país recentemente.

"O governo está postergando o ajuste, e as metas deste ano e dos próximos, a meu ver, estão muito longe de estabilizar a relação entre dívida/PIB", afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, referindo-se a uma das métricas utilizadas pelas agências de rating para avaliar a solvência de um país.   Continuação...