ENFOQUE-Crédito bancário para pequena e média empresa fica ainda mais escasso

sexta-feira, 24 de julho de 2015 11:22 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Já escasso desde o começo do ano passado, o crédito bancário para empresas pequenas e médias está ficando ainda mais fraco, com instituições financeiras evitando exposição a um segmento da economia que tem sido um dos maiores responsáveis pelo aumento das provisões para perdas com calotes.

Com a piora das expectativas para a economia brasileira --alguns economistas já preveem queda superior a 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e contração também em 2016--, os bancos têm reforçado o foco nas linhas consideradas de menor de risco, mesmo que isso custe crescimento menor da carteira.

"Estamos parados em PME (pequena e média empresa) e a tendência é diminuir", disse à Reuters um alto executivo de um dos maiores bancos do país, que falou sob condição de anonimato. "Especialmente agora que a expectativa é de que a retomada da economia será bem mais lenta do que se previa."

Mesmo bancos de médio porte especializados no setor têm pisado no freio. O Daycoval, que acaba de tomar uma linha internacional de 200 milhões de dólares justamente para operações no setor, não está pensando em tão cedo ampliar seus empréstimos no segmento.

"Isso foi mais uma antecipação para necessidades que nós mesmos teremos mais à frente. Também não estamos crescendo essa carteira (de pequena e média empresa)", disse à Reuters o diretor de Relações com Investidores do Daycoval, Ricardo Gelbaum.

Desde o primeiro trimestre de 2014, as novas concessões de crédito para empresas pequenas e médias praticamente pararam. Consequentemente, a fatia desse segmento na carteira de empréstimos total dos bancos vem sucessivamente diminuindo.

No Itaú Unibanco e no Bradesco, o crescimento foi residual e abaixo da inflação em 12 meses até março, enquanto na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil houve até uma ligeira contração. O mesmo aconteceu no Santander Brasil, apesar de o banco ter anunciado recentemente uma plataforma específica para lidar com esse nicho.

Nada indica que esse cenário vá mudar nos próximos meses. Preferindo se concentrar nas linhas de menores riscos num momento em que a inadimplência vem subindo, os grandes bancos têm preferido expandir no varejo, leia-se consignado e imobiliário, e em grandes empresas.   Continuação...

 
Vista geral do Rio de Janeiro. 08/04/2015 REUTERS/Pilar Olivares