BC aponta novos riscos e diz que vigilância é primordial para combater inflação

sexta-feira, 24 de julho de 2015 12:43 BRT
 

Por Alonso Soto e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Novos riscos inflacionários surgiram no Brasil e é primordial que o Banco Central continue vigilante para levar a inflação ao centro da meta no fim de 2016, afirmou nesta sexta-feira o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira da Silva, sinalizando juros mais altos no momento em que os mercados temem enfraquecimento da austeridade fiscal.

"O progresso até agora no combate à inflação precisa ser equilibrado diante de riscos mais recentes que ameaçam nosso objetivo central", disse ele em discurso feito no Rio de Janeiro e divulgado no site do BC.

"Portanto, devemos permanecer cautelosos nessa conjuntura particular".

Awazu afirmou ainda que é "primordial ser vigilante para garantir que a política monetária reflita o balanço de riscos do momento e permaneça adequadamente calibrada para atingir nossos objetivos", em referência ao objetivo da autoridade monetária de ver a inflação no centro da meta de 4,5 por cento ao fim do ano que vem.

As declarações do diretor foram dadas dois dias depois de o governo assustar os mercados com a dramática redução das metas de superávit primário para 2015, 2016 e 2017, diante da contínua queda das receitas.

Muitos observadores do mercado interpretaram os cortes das metas fiscais como uma admissão de que o governo não será capaz de ajudar o BC a aliviar as pressões inflacionárias à frente.

Awazu não especificou as novas variáveis em jogo, se limitando a assinalar que "desenvolvimentos recentes mostram que há novos riscos para o resultado da inflação para 2016 que podem afetar horizontes de mais longo prazo".

Os contratos de juros futuros mais curtos ampliaram a alta após as declarações de Awazu, com operadores mudando as apostas e deixando de ver desaceleração no ritmo da alta da taxa básica de juros Selic na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom), passando a apostar majoritariamente em alta de 0,5 ponto percentual.   Continuação...