24 de Julho de 2015 / às 20:14 / 2 anos atrás

Dólar sobe 1,5% e encosta em R$3,35, máxima em 12 anos, por preocupação fiscal

Notas de dólar norte-americano, em Johannesburgo, na África do Sul. 13/08/2014 REUTERS/Siphiwe Sibeko

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu pela terceira sessão seguida, encostou em 3,35 reais e fechou no maior nível em mais de 12 anos, ainda refletindo preocupações com os riscos ao grau de investimento brasileiro após os cortes nas metas fiscais do governo.

O dólar avançou 1,55 por cento, a 3,3470 reais na venda, maior patamar de fechamento desde 31 de março de 2003, quando ficou em 3,355 reais. Na máxima do dia, a divisa chegou a 3,3578 reais.

Nas últimas três sessões, incluindo esta, a moeda norte-americana acumulou avanço de 5,48 por cento e, na semana, avançou 4,79 por cento.

“A decepção do mercado é palpável. A sensação é de que o governo está fazendo menos esforço do que devia”, disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

O governo reduziu a meta de superávit primário deste ano a 0,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra 1,1 por cento do PIB previsto até então. Além disso, abriu a possibilidade de abater até 26,4 bilhões de reais que, no limite, pode até gerar novo déficit primário.

As metas para 2016 e 2017, por sua vez, caíram para o equivalente a 0,7 e 1,3 por cento do PIB, respectivamente. O objetivo anterior para cada um desses anos era de 2 por cento do PIB, percentual que agora só deverá ser alcançado em 2018.

“A drástica redução da meta para 2015, assim como o ajuste extremamente gradual esperado para os próximos anos, sublinha o esperado rebaixamento pela Moody’s e pode também desencadear revisões por outras agências e a perda do grau de investimento”, escreveram analistas do banco Brasil Plural em nota a clientes.

Em entrevista à Reuters nesta sexta-feira, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que as novas metas de primário são mais realistas e suficientes para estabilizar a dívida pública do país.

Nesse quadro, investidores aguardavam também novas pistas sobre como o Banco Central se posicionará em relação a suas intervenções no câmbio, levando em conta que o fortalecimento do dólar tende a aumentar a inflação já elevada.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total no leilão de rolagem de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Com isso, já rolou o equivalente a 5,098 bilhões de dólares, ou cerca de 48 por cento do lote que vence no início de agosto, que corresponde a 10,675 bilhões de dólares.

Operadores esperavam com ansiedade o anúncio da rolagem dos contratos que vencem em setembro e correspondem a 10,027 bilhões de dólares. Se o BC sinalizar que deve continuar rolando cerca de 70 por cento dos contratos, como fez no mês passado, a tendência é que o dólar não volte a patamares mais baixos.

“Seria um sinal de que o BC está confortável com o dólar nesses níveis”, explicou o operador de um importante banco internacional.

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