Discussões de propina à Eletrobras ocorreram durante investigações, diz delator

sexta-feira, 24 de julho de 2015 17:51 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, disse em sua delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato que empreiteiras, incluindo sua empresa e a Odebrecht, realizaram reuniões para discutir o pagamento de propinas a dirigentes da Eletrobras em agosto de 2014, quando as investigações já estavam em andamento e eram públicas.

A revelação aparece em despacho divulgado nesta sexta-feira, em que o juiz Sérgio Moro pede a continuidade da prisão preventiva de executivos da Odebrecht, incluindo o presidente da empresa, Marcelo Bahia Odebrecht.

Moro disse, no despacho, considerar "perturbadora" a afirmação de que houve discussões referentes a propinas quando as investigações da Lava Jato já apareciam na imprensa e apontou que este seria "mais um indicativo da necessidade de prisão preventiva dos executivos envolvidos".

De acordo com o juiz, Dalton Avancini disse que as empreiteiras Camargo Correa, UTC Engenharia, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Techin e EBE, "em cartel, teriam ajustado duas licitações em obras de Angra 3 e ainda teriam acertado o pagamento de propinas a empregados da Eletronuclear", que teriam colocado nas licitação cláusulas para restringir a concorrência e favorecer o grupo.

A Eletrobras afirmou que "já se manifestou sobre este tema em comunicados ao mercado".

A Queiroz Galvão disse que "nega veementemente qualquer pagamento a agentes públicos para obtenção de contratos ou vantagens" e que “todas suas atividades seguem rigorosamente a legislação vigente".

A UTC disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.

A Odebrecht informou que "as defesas estão analisando a decisão e se pronunciarão oportunamente".

Procuradas, as demais empresas não puderam responder imediatamente.   Continuação...