Processadores de soja em Illinois e Indiana, nos EUA, "importam" grãos das Dakotas

sexta-feira, 24 de julho de 2015 19:31 BRT
 

CHICAGO (Reuters) - Processadores de soja dos Estados norte-americanos de Illinois e Indiana estão correndo para os mercados ferroviários para comprar grandes quantidades de grãos da Dakota do Norte e Dakota do Sul, à medida que a forte demanda doméstica por farelo absorve os suprimentos que seriam tipicamente exportados, disseram os operadores.

Muita soja cultivada nas Dakotas e em Minnesota normalmente é transportada de trem para o noroeste do país, na costa do Pacífico, e carregada em navios com destino principalmente à China, maior importador do mundo.

No entanto, com uma safra recorde de soja no Brasil competindo com os EUA em mercados globais, os grãos produzidos nas Dakotas estão sendo vendidos para processadores domésticos muito distantes.

"Está bastante agitado esta semana", disse um operador que compra soja para um processador em Indiana.

A inversão dos contratos futuros na bolsa de Chicago, com preços mais elevados para as entregas imediatas, além de ofertas agressivas por esmagadoras dispararam os negócios.

A soja para entrega em agosto estava precificada esta semana mais de 30 centavos de dólar por bushel acima do contrato da nova safra de soja, com entrega em novembro, fazendo a diferença entre os dois contratos alcançar a mais ampla inversão dos últimos cinco meses.

Produtores locais de Indiana e Illinois praticamente esgotaram seus estoques de soja do ano passado, forçando processadores a ofertar até 80 centavos acima do preço do contrato futuro por cargas rodoviárias de soja, tornando os negócios de soja transportada de trem uma alternativa mais barata.

As relativamente incomuns negociações de cargas transportadas de trem ocorreram em pequenos volumes nos últimos três anos, mas podem continuar após a colheita no outono, uma vez que os processadores buscam esmagar a soja rapidamente para produzir farelo de soja rico em proteína para alimentação animal.

"O farelo está com bom patamar de competitividade. Eu não vejo nenhum produtor de carne de frango ou suína querendo usar menos farelo do que já usa hoje. Haverá demanda", disse um comerciante de farelo de soja do mercado físico.

(Por Michael Hirtzer)