ENFOQUE-Déficit hidrelétrico reaproxima ministério e Aneel após divergências

segunda-feira, 27 de julho de 2015 16:58 BRT
 

Por Leonardo Goy e Luciano Costa

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Após um primeiro semestre marcado por divergências públicas e nos bastidores, o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) começam a "melhorar a relação" e a trabalhar de modo mais ajustado, diante de uma premente solução para o déficit hidrelétrico.

    A virada aconteceu justamente durante as discussões sobre uma eventual medida de socorro às hidrelétricas, que têm registrado perdas bilionárias, disseram à Reuters pelo menos três fontes que participam de reuniões com ambos os órgãos de governo.

O déficit hidrelétrico tem sido registrado há dois anos, conforme a seca obriga o país a acionar todas termelétricas, o que reduz a produção e a remuneração das usinas hídricas, além de resultar em energia mais cara para o consumidor.

    As diferentes visões entre governo e Aneel em relação a esse impasse causaram maior desconforto quando, enquanto o ministro Eduardo Braga acenava com apoio ao setor de geração, uma nota técnica da Aneel elencou uma série de argumentos que sustentaram a tese de que as perdas das empresas devido à seca são decorrentes do risco do negócio, inerente aos investimentos em energia hidrelétrica.

O documento enfureceu o setor privado, que voltou-se ao governo e passou a tentar articular um eventual apoio diretamente com o Ministério de Minas e Energia.

Segundo uma fonte de uma instituição setorial que participa das conversas, após a repercussão da nota técnica, a Aneel "resolveu pisar no freio e está trabalhando com bastante discrição, tentando se alinhar ao governo".

    O Ministério de Minas e Energia afirmou à Reuters que "tem mantido com as organizações do setor, especialmente com a Aneel, um relacionamento institucional profícuo, resultando em avanços na solução dos desafios e na implementação de melhorias no sistema elétrico brasileiro".

    Ainda que as instituições estejam reconstruindo laços, no que tange o déficit hídrico, a solução não deve vir de uma hora para outra.      Continuação...