Dólar sobe pela 4ª sessão e acumula alta de 6%, a R$3,36, com fiscal e China

segunda-feira, 27 de julho de 2015 19:26 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançou pela quarta sessão consecutiva nesta segunda-feira sobre o real, renovando a máxima de fechamento em mais de doze anos, pressionado pela apreensão dos investidores com as perspectivas fiscais do Brasil e pelo tombo da bolsa chinesa.

O dólar avançou 0,51 por cento, a 3,3640 reais na venda, maior nível de fechamento desde 27 de março de 2003, quando foi a 3,386 reais na venda. Desde quarta-feira, acumula alta de 6,01 por cento.

"Com a atividade ruim, a inflação alta e as mudanças nas metas fiscais, o Brasil está caminhando para uma crise de credibilidade", afirmou o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva Filho.

Na quarta-feira passada, o governo reduziu suas metas fiscais para este e os próximos dois anos, abrindo brecha inclusive para déficit primário em 2015. A decisão surpreendeu e decepcionou investidores, que entenderam a manobra como sinal de menor comprometimento com o reequilíbrio das contas públicas e temem que o Brasil possa vir a perder seu grau de investimento.

"A combinação de política monetária apertada e superávits primários modestos implica significativa deterioração das dinâmicas de dívida do Brasil", escreveram analistas do JPMorgan em apresentação a clientes, estimando que a dívida bruta deve alcançar 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

"Esperamos que o país deve perder seu grau de investimento nos próximos anos, por pelo menos uma das três principais agências de rating", acrescentaram, referindo-se à Moody's, Fitch e Standard & Poor's.

Nos mercados externos, o tombo de mais de 8 por cento da bolsa chinesa, o maior desde 2007, trouxe de volta aos holofotes a desaceleração da segunda maior economia do mundo, importante parceiro comercial do Brasil. O dólar avançava em relação às principais moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

"A China é uma referência para quem investe em emergentes. Se a bolsa lá piora, o investidor também fica com um pé atrás para investir aqui", disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.   Continuação...

 
Notas de dólar norte-americano no Banco AYA, em Yangon, Mianmar. 17/07/2015 REUTERS/Soe Zeya Tun