Lava Jato chega ao setor elétrico e presidente licenciado da Eletronuclear é preso

terça-feira, 28 de julho de 2015 11:40 BRT
 

Por Sergio Spagnuolo

CURITIBA (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira o presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, em ofensiva que marca a chegada formal da operação Lava Jato ao setor elétrico.

De acordo com a PF, a investigação da fase batizada como "Radioatividade" se concentra em contratos firmados por empresas já mencionadas na Lava Jato com a Eletronuclear, subsidiária da estatal federal Eletrobras ELET6.SA, inclusive em licitação para as obras da usina nuclear de Angra 3.

O presidente licenciado da Eletronuclear é acusado de receber propina de 4,5 milhões de reais. Ele está afastado do cargo desde abril, quando surgiram denúncias de pagamento de propina a dirigentes da companhia. Flavio Barra, executivo responsável pela área de energia na Andrade Gutierrez, também foi preso nesta manhã.

Além das duas prisões temporárias, a PF realizava cinco conduções coercitivas, de um total de 30 mandados judiciais da 16ª fase da Lava Jato nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Barueri.

Segundo a PF, são "objeto de apuração nesta fase a formação de cartel e o prévio ajustamento de licitações nas obras de Angra 3, e o pagamento indevido de vantagens financeiras a empregados" da Eletronuclear.

"É um primeiro passo dentro da investigação (Lava Jato) na área de energia", disse a jornalistas o delegado da PF Igor Romário de Paula em entrevista coletiva em Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato.

Segundo o procurador Athayde Ribeiro Costa, da força-tarefa da Lava Jato, "há indicativos de que a corrupção se espalhou para muitos órgãos da administração e de entidades da administração pública".

"A corrupção é endêmica e estamos em processo de metástase", afirmou o procurador.   Continuação...

 
Prédio da Eletrobras no centro do Rio de Janeiro. 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares