BC eleva juros em 0,5 p.p., a 14,25%, e sinaliza fim do ciclo de aperto

quarta-feira, 29 de julho de 2015 22:46 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual nesta quarta-feira, a 14,25 por cento ao ano, levando a Selic ao maior patamar em nove anos e sinalizando um possível encerramento do ciclo de aperto monetário iniciado em outubro do ano passado, após sete altas consecutivas dos juros.

Em uma mudança de tom, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou no comunicado que a decisão foi tomada "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos" e que entende que "a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016".

Nesta reunião, o diretor de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, decidiu se abster de participar "a fim de evitar possíveis prejuízos à imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decisão em caráter pessoal e irretratável", segundo comunicado do BC. A decisão veio após o diretor dizer na semana passada que votaria pela alta dos juros até que as perspectivas estivessem apontando para o centro da meta de inflação.

Para economistas, o tom do comunicado da decisão desta quarta-feira sugere o fim das elevações na Selic, com a crença de que a fraca atividade econômica e a deterioração do mercado de trabalho devem ajudar a empurrar a inflação para baixo.

"O que o BC vinha apontando é que tinha confiança em parar quando a projeção (de inflação) dele parasse na meta. A projeção dele deve ter ido exatamente para 4,5 por cento", avaliou o economista-chefe do Banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawall, em referência ao alvo buscado pela autoridade monetária para o fim do ano que vem.

O economista-chefe do Banco Besi, Jankiel Santos, também acredita que o comunicado indicou fim do ciclo de aperto monetário.

"O BC deu a entender isso quando diz que entende que a manutenção desse patamar, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016. Salvo a adição feita no primeiro parágrafo sobre o balanço de riscos, porque esse balanço pode mudar", ressaltou Santos.

Em pesquisa da Reuters, 42 dos 55 analistas consultados projetavam alta de 0,50 ponto percentual na Selic, com o restante vendo aumento de 0,25 ponto percentual na taxa.   Continuação...

 
Notas de 100 reais são inspecionadas na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. 23/08/2012 REUTERS/Sergio Moraes