Brasil tem déficit primário recorde para junho e, em 12 meses, maior rombo histórico

sexta-feira, 31 de julho de 2015 12:42 BRT
 

Por Marcela Ayres e Flavia Bohone

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O setor público brasileiro registrou déficit primário de 9,323 bilhões de reais em junho, pior marca histórica para o mês, acumulando em 12 meses rombo recorde equivalente a 0,80 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), números que ressaltam as dificuldades do governo em equilibrar as contas públicas.

Apesar do resultado ruim, economistas acreditam que o governo ainda consegue cumprir a nova meta de superávit primário para este ano, equivalente a 0,15 por cento do PIB.

"Com o que já foi divulgado até agora é possível atingir a meta deste ano", disse o economista-chefe do BESI Brasil, Jankiel Santos, para quem os cortes adicionais anunciados pelo governo ajudam nesta conta.

O resultado negativo do mês passado veio sobretudo do governo central (governo federal, Banco Central e Previdência), com saldo negativo de 8,566 bilhões de reais no mês, informou o BC nesta sexta-feira, em meio à fraca arrecadação por conta da cambaleante economia.

Empresas estatais tiveram contribuição negativa de 813 milhões de reais, enquanto governos regionais (Estados e municípios) conseguiram ligeiro superávit de 56 milhões de reais no mês.

O déficit primário de junho veio muito abaixo das projeções de analistas, cuja mediana apontava para saldo negativo de 2,0 bilhões de reais em pesquisa da Reuters.

"A despeito das medidas adotadas tanto no âmbito da recuperação de receitas como contenção de despesas desde o início do ano, há impacto significativo da atividade econômica sobre a arrecadação", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Na última semana, o governo reduziu a meta de economia para pagamento de juros da dívida deste ano a 8,747 bilhões de reais, equivalente a 0,15 por cento do PIB, contra 1,1 por cento do PIB previsto até então. Também anunciou corte adicional de gastos de 8,6 bilhões de reais.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.   15/01/2014  REUTERS/Ueslei Marcelino