Dólar sobe e vai acima de R$3,45 por BC e preocupações políticas

segunda-feira, 3 de agosto de 2015 17:15 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu quase 1 por cento nesta segunda-feira, chegando a 3,45 reais, após o Banco Central sinalizar que não vai aumentar suas intervenções no câmbio mesmo após a moeda norte-americana saltar às máximas em doze anos, e com temores diante da cena política após a prisão do ex-ministro José Dirceu na nova fase da operação Lava Jato, que aproxima-se cada vez mais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar subiu 0,87 por cento, a 3,4545 reais na venda, renovando o maior patamar em 12 anos na terceira alta seguida, acumulando valorização de 3,76 por cento neste período. Na máxima da sessão, a divisa atingiu 3,4618 reais.

Só em julho, o dólar subiu pouco mais de 10 por cento sobre o real, acumulando valorização de quase 30 por cento no ano.

"A prisão (de Dirceu) pode reverberar no Planalto e aumenta ainda mais a sensação de incerteza aqui", disse o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato.

Nesta sessão, o cenário político teve forte peso após a Polícia Federal prender Dirceu, apontado como um dos "líderes principais" que instituiu o esquema bilionário de corrupção na Petrobras ainda durante o período em que ocupava o cargo no Palácio do Planalto, levando a operação Lava Jato diretamente ao centro do governo do ex-presidente Lula.

Em meio a isso, operadores ressaltaram que o término do recesso parlamentar no Brasil deve alçar de volta ao centro das atenções os atritos entre o Legislativo e Executivo na aprovação de medidas que integram os esforços do governo para resgatar a credibilidade da política fiscal do país, motivando cautela nas mesas de operação.

A perspectiva para o curto prazo segue de dólar em alta, com o cenário político interno no centro das atenções. "As tensões políticas têm pesado muito e devem continuar assim", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Italo Abucater, para quem o dólar pode subir a 3,80 reais no curto prazo.

"Não temos nada no horizonte para favorecer uma queda do dólar", disse.   Continuação...