Aquisição do HSBC representa grande teste para presidente do Bradesco

segunda-feira, 3 de agosto de 2015 19:50 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco ficou vendo por anos rivais crescerem no Brasil por meio de grandes aquisições. Mas nesta segunda-feira, o segundo maior banco privado do país anunciou a compra das operações brasileiras do HSBC em uma transação que aumentará seus ativos em 16 por cento.

Agora vem a parte difícil: Integrar o negócio, incluindo as 851 agências do HSBC, cinco milhões de clientes e 21 mil funcionários no Brasil em meio à pior recessão em 25 anos.

O presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, superou rivais ao oferecer pagar 17,6 bilhões de reais (5,2 bilhões de dólares) pela deficitária operação do HSBC Brasil, em uma transação que avaliou o banco comprado em 1,8 vez seu valor contábil.

Analistas e investidores disseram que a aquisição, a maior dos 74 anos do Bradesco, testará a habilidade de Trabuco para absorver as atividades de gestão de ativos, bancárias e de seguros em um período de inflação alta, queda na demanda por crédito e aumento do desemprego no país.

A capacidade do Bradesco em fazer a aquisição se pagar depende de quão rápido Trabuco poderá atingir mais de 6 bilhões de reais em economias de custos prometidas, disseram analistas.

Estas economias dependerão amplamente de como o Bradesco cortará milhares de empregos sem entrar em conflitos trabalhistas e cair no crivo de autoridades políticas que podem desacelerar o processo.

Trabuco, 63 anos, ganhou reputação de manter os custos baixos. O executivo começou sua carreira como estagiário no Bradesco 40 anos atrás e é conhecido por evitar os holofotes.

As despesas desconsiderando juros do Bradesco cresceram abaixo da inflação anual nos últimos 14 trimestres, rivalizando com o Itaú Unibanco, que os analistas largamente consideram como o banco brasileiro mais eficiente em custos.   Continuação...