Marcopolo continuará ajustando ritmo de produção até o final do ano

quarta-feira, 5 de agosto de 2015 12:55 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo continuará flexibilizando a jornada de trabalho de funcionários no terceiro trimestre e pode fazer o mesmo nos três últimos meses do ano, em um momento de demanda doméstica enfraquecida, ao mesmo tempo em que, no exterior, busca capturar potencial de crescimento nas exportações por conta da desvalorização do real.

No segundo trimestre, a companhia cortou sua produção no Brasil para o mercado interno em 43 por cento e disse não esperar que a situação mude no curto prazo de maneira significativa.

Assim, a expectativa é manter no atual trimestre a flexibilização da jornada de trabalhadores em vigor em praticamente todas as fábricas no Brasil, com o acúmulo de banco de horas para uma possibilidade de reação rápida em caso de retomada, disse o vice-presidente financeiro da Marcopolo, José Valiati.

"Isso ameniza o problema porque todo o custo fixo é contingenciado... Deveremos votar uma nova flexibilização para o próximo trimestre, que utilizaremos se necessário", afirmou nesta quarta-feira em reunião com investidores e analistas.

No segmento de ônibus rodoviários, a empresa disse não esperar uma recuperação no terceiro trimestre, e sim mais para o fim do ano, depois da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ter publicado resolução que define as regras do modelo de autorização das linhas interestaduais e internacionais. As companhias de transporte vinham aguardando a publicação para iniciar a renovação da frota, que deve ser adequada às novas regras em quatro anos.

A demanda normal do mercado por esse segmento, de 1.200 a 1.500 veículos por ano, caiu para cerca de 250 veículos no primeiro semestre de 2015, disse o gerente financeiro da Marcopolo, Thiago Deiro, citando dados da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati).

É esperada uma volta para o patamar de 1.500 a 2.000 veículos anuais nos primeiros anos e, posteriormente, para entre 2.000 e 2.500 veículos, disse Deiro, em um segmento no qual a Marcopolo tem 80 por cento de participação de mercado.

Já no segmento de ônibus urbanos, no qual a demanda também está abaixo do normal, a empresa espera que licitações municipais em algumas cidades e a proximidade das eleições municipais de 2016 destravem o setor a partir do ano que vem.   Continuação...