PIB do agronegócio deve acelerar no 2º semestre, mas 2015 será difícil

quarta-feira, 5 de agosto de 2015 18:07 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O PIB do agronegócio brasileiro deverá ter uma recuperação no segundo semestre, após um começo de ano combalido, mas possivelmente não fechará 2015 dentro da previsão inicial de crescimento feita pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse nesta quarta-feira um economista sênior da entidade.

"A gente espera que até dezembro o PIB do agronegócio cresça. A gente tinha uma previsão de 1,8 por cento (de crescimento em 2015). Não sei se a gente vai conseguir isso", disse à Reuters o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.

"Em março e abril vimos adversidades que não estavam no nosso modelo em janeiro", completou.

O PIB do agronegócio somou 1,210 trilhão de reais em 2014, segundo estimativas ajustadas à inflação, de acordo com dados compilados pela CNA e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

A CNA apontou que a produção agrícola foi bastante prejudicada no início deste ano, afetando as estatísticas.

Na média das culturas acompanhadas, houve redução de 6,77 por cento das cotações de janeiro a abril de 2015 ante o mesmo período de 2014. Ao mesmo tempo, a produção agrícola cresceu 3,65 por cento, "o que não foi suficiente para compensar a retração em preços", segundo a confederação.

A CNA e o Cepea calculam o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio com metodologia mais ampla, diferente dos estudos oficiais publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto o "PIB do agronegócio", da CNA, inclui setores como insumos, produção agropecuária, agroindústrias e serviços --o que abrange mais de 20 por cento da economia brasileira--, o IBGE avalia, no seu "PIB da agropecuária", apenas a produção das fazendas, englobando menos de 6 por cento das riquezas produzidas no país.   Continuação...