Governo eleva tom, enfatiza gravidade de crise econômica e faz apelo ao Congresso

quarta-feira, 5 de agosto de 2015 20:46 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A equipe econômica da presidente Dilma Rousseff e seu articulador político, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), vieram a público nesta quarta-feira para enfatizar a gravidade da situação econômica e fiscal do país e fazer um apelo ao Congresso Nacional para que não agrave a situação.

A movimentação veio um dia após o Congresso retomar as atividades e sinalizar que não dará trégua ao governo, que está tentando implementar uma agenda de ajuste fiscal, em meio a um cenário de retração da atividade econômica, aumento do desemprego e forte perda de popularidade.

“Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvida que é grave. E é grave porque há uma crise política se ensaiando, há uma crise econômica precisando ser ajustada", disse Temer a jornalistas, após se reunir com ministros e parlamentares da base aliada.

"Mas para tanto é preciso contar com o Congresso Nacional, é preciso contar com os vários setores da nacionalidade brasileira... Há uma certa preocupação, não posso negar isso. Daí a razão dessa espécie de convocação, no sentido de que todos trabalhemos juntos”, acrescentou.

Além da necessidade de apoio do Congresso para aprovar as medidas do ajuste, o governo da presidente Dilma Rousseff precisa contar com a boa vontade dos parlamentares para não aprovar matérias que impliquem elevação dos gastos como, por exemplo, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 443 que eleva a remuneração de servidores da advocacia-geral.

Mas logo no primeiro dia de trabalhos do Congresso após o recesso, a base aliada não teve força para aprovar requerimento para adiar a votação da PEC que, se aprovada, elevará os gastos públicos em 9,9 bilhões de reais, segundo cálculos do Ministério do Planejamento.

“Não é adequado propor reajustes dessa magnitude no momento em que várias empresas e trabalhadores enfrentam dificuldade, especialmente no setor privado, com redução do salário real e queda na geração de empregos", disse o Ministério do Planejamento em nota divulgada nesta quarta-feira.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também veio a público enfatizar que a situação econômica do país é "séria" e a fiscal é "muito séria". Levy disse que o governo assumiu o custo da popularidade ao tomar as medidas que considera necessárias para fortalecer a economia, e que é preciso continuar com o diálogo.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff  ao lado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy . 9/06/2015.  REUTERS/Bruno Domingos