Governo eleva tom, enfatiza gravidade de crise econômica e faz apelo ao Congresso

quarta-feira, 5 de agosto de 2015 22:04 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A equipe econômica da presidente Dilma Rousseff e seu articulador político, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), vieram a público nesta quarta-feira para enfatizar a gravidade da situação econômica e fiscal do país e fazer um apelo ao Congresso Nacional para que não a agrave.

A movimentação veio um dia após o Congresso retomar as atividades e sinalizar que não dará trégua ao governo, que está tentando implementar uma agenda de ajuste fiscal, em meio a um cenário de retração da atividade econômica, aumento do desemprego e forte perda de popularidade.

“Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvida que é grave. E é grave porque há uma crise política se ensaiando, há uma crise econômica precisando ser ajustada", disse Temer a jornalistas, após um dia de reuniões com ministros e parlamentares da base aliada.

"Mas para tanto é preciso contar com o Congresso Nacional... Há uma certa preocupação, não posso negar isso. Daí a razão dessa espécie de convocação, no sentido de que todos trabalhemos juntos”, acrescentou.

Além da necessidade de apoio do Congresso para aprovar as medidas do ajuste, o governo da presidente Dilma precisa contar com a boa vontade dos parlamentares para não aprovar matérias que impliquem elevação dos gastos como, por exemplo, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 443 que eleva a remuneração de servidores da advocacia-geral.

"É preciso que alguém tenha capacidade de reunificar a todos, de reunir a todos, de fazer esse apelo e eu estou tomando essa liberdade de fazer esse pedido, porque caso contrário nós podemos entrar numa crise desagradável para o país", disse Temer.

Apesar apelo, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, onde se concentram as maiores dores de cabeça para o Planalto, disse nesta quarta-feira que a tendência é o governo continuar sofrendo novas derrotas na Casa.

Cunha rompeu com o governo no mês passado, após ser citado por um delator da operação Lava Jato. Ele nega a acusação de ter pedido 5 milhões de dólares em propina ao empresário Julio Camargo e acusa o governo de fazer uma manobra com o Ministério Público para constrangê-lo.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff  ao lado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy . 9/06/2015.  REUTERS/Bruno Domingos