Convergência da inflação à meta em 2016 melhorou, mas é preciso manter vigilância, diz BC

quinta-feira, 6 de agosto de 2015 11:27 BRT
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - A convergência da inflação para o centro da meta em 2016 tem se fortalecido e os riscos desse cenário são "condizentes com efeitos acumulados e defasados da política monetária", mas que ainda é preciso manter-se "vigilante em caso de desvios significativos".

Esse foi o recado principal dado pelo Banco Central nesta quinta-feira, por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), reforçando a ideia de que o ciclo de alta dos juros básicos deve ter chegado ao fim, mas deixando uma porta aberta para voltar a subi-los se algo mais grave acontecer.

"Os riscos remanescentes para que as projeções de inflação do Copom atinjam com segurança o objetivo de 4,5 por cento no final de 2016 são condizentes com o efeito defasado e cumulativo da ação de política monetária", trouxe a ata. "Mas exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta.

Na semana passada, o BC elevou a Selic em 0,5 ponto percentual --a 14,25 por cento ao ano, maior nível em nove anos-- e sinalizou que estaria interrompendo esse ciclo monetário, que começou em outubro passado e gerou alta acumulada de 3,25 pontos percentuais.

O BC afirmou, e reafirmou na ata, que a manutenção desse patamar da taxa por "período suficientemente prolongado" é necessário para a convergência da inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- no fim de 2016.

"O BC sinalizou que acabou o ciclo (de aperto) e que a queda (da Selic) vai depender, em parte, da política fiscal", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem a Selic permanece no atual nível até abril de 2016, quando passará a cair, fechando o ano a 11,25 por cento.

Pela ata, o BC argumentou que a "estratégia de política monetária está na direção correta", diferentemente do que defendia nos documentos anteriores, de que os "avanços alcançados no combate à inflação... ainda não se mostram suficientes".

  Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.   15/01/2015  REUTERS/Ueslei Marcelino