Braskem faz proposta de fórmula flexível para novo contrato de nafta com Petrobras

quinta-feira, 6 de agosto de 2015 13:07 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Braskem fez uma proposta de fórmula de preço flexível para novo contrato de longo prazo de fornecimento de nafta com a Petrobras, com variação de 90 a 110 por cento do preço de referência no mercado europeu (ARA), mas ainda não chegou a uma solução com a estatal, em um momento em que o ambiente político tem dificultado as negociações.

"A Petrobras não colocou nenhuma proposta diferente na mesa. Não chegamos ainda a uma solução", disse o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, a jornalistas nesta quinta-feira, acrescentando que a assinatura um novo aditivo de seis meses é possível para dar mais tempo para as negociações.

Fadigas disse que a recente polêmica sobre o contrato não prejudicou as negociações no sentido de desviar o trabalho das companhias, que estão focadas no debate sobre a cadeia produtiva, mas o atual ambiente político torna mais difícil discussões de longo prazo.

"(O ambiente) não afeta o foco e a atenção das equipes, mas afeta (as conversas), porque toda a agenda está puxada para o curtíssimo prazo."

As ações da Braskem enfrentaram intensa volatilidade após o Ministério Público Federal afirmar que a Petrobras teve prejuízo de 6 bilhões de reais causado pelo contrato de fornecimento de nafta, que durou de 2009 a 2014. A afirmação ocorreu em meio às denúncias contra executivos da Odebrecht, controladora da Braskem, no âmbito da Operação Lava Jato.

Atualmente, está em vigor o terceiro aditivo de seis meses ao contrato, que termina no fim de agosto. Para fins de faturamento, o aditivo atual prevê o pagamento, na prática, de 100 por cento do valor de ARA. Caso um acordo de longo prazo seja alcançado, o novo preço valerá retroativamente até o primeiro dia do aditivo, 1o de março, disse Fadigas. Caso contrário, não haverá ajuste.

No contrato de longo prazo anterior, a fórmula variava de 92,5 a 105 do preço de ARA. A nova proposta da Braskem por uma faixa mais ampla, de 90 a 110 por cento, ocorre por conta da maior volatilidade do mercado, segundo o executivo.

A Braskem também propôs na nova fórmula que o preço leve em conta uma média do valor de referência de Mont Belvieu, nos Estados Unidos, com ARA (Amsterdã, Roterdã, Antuérpia), na Europa.   Continuação...