Pior ainda não passou na economia brasileira, diz BTG Pactual

quinta-feira, 6 de agosto de 2015 15:05 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O BTG Pactual está reduzindo ativos e reforçando níveis regulatórios de capital em um esforço para enfrentar a prolongada crise econômica e política do Brasil, disse o presidente-executivo do grupo, André Esteves, nesta quinta-feira.

O BTG reduziu ativos e a carteira de crédito em 6,7 por cento e 0,6 por cento, respectivamente, no segundo trimestre. O banco também fez provisões adicionais para inadimplência e para seus investimentos proprietários no setor de petróleo e gás.

A orientação mais conservadora tem como objetivo proteger o BTG Pactual da desaceleração mais acentuada do Brasil em 25 anos, marcada por declínio dos preços das commodities e mercados de capitais fracos.

Esteves disse a analistas em teleconferência de resultados que a tomada de riscos só vai aumentar quando as condições permitirem.

De abril a junho, o lucro líquido do BTG Pactual atingiu o pico em três anos e meio, com impostos extraordinariamente baixos e maiores receitas de investimentos proprietários ajudando a compensar os custos de bônus maiores a executivos.

"Nosso modelo de negócio nos tem preparado para enfrentar o cenário adverso no Brasil, onde o pior ainda não acabou", disse Esteves. "Temos ampliado caixa, reduzido riscos e tomando todas as medidas necessárias para tirar risco do nosso balanço."

A carteira de crédito do banco pode se deteriorar à medida que a economia se aprofunda na recessão, Esteves disse, mas não a ponto de ter impacto significativo nos lucros.

Os problemas econômicos no Brasil podem durar por mais 18 meses, disseram executivos do BTG na teleconferência.

Apesar do panorama econômico adverso, com os mercados de capitais fracos e o aumento dos custos de empréstimos, Esteves se disse confiante de que o grupo pode sustentar retorno anual sobre o patrimônio líquido de cerca de 20 por cento.

Os units do BTG Pactual caíam 2,63 por cento, a 25,20 reais, às 15h04 no horário de Brasília.

(Por Guillermo Parra-Bernal)