Liquidação do mercado de energia tem inadimplência recorde de R$1,4 bi, diz CCEE

quinta-feira, 6 de agosto de 2015 17:46 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A liquidação financeira do mercado de energia de curto prazo referente a junho de 2015 registrou uma inadimplência recorde de 1,4 bilhão de reais, o equivalente a 47,2 por cento dos 3 bilhões de reais envolvidos na operação, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta quinta-feira.

Segundo a instituição, 29,8 por cento do valor não pago, ou 891,9 milhões de reais, está coberto por liminares, a maior parte associada a empresas que obtiveram recentemente proteção judicial contra perdas decorrentes do déficit de geração registrado pelas hidrelétricas devido à seca.

Enquanto empresas e o governo negociam uma solução para o déficit hídrico, uma grande inadimplência já era prevista, conforme antecipou na terça-feira a Reuters, que também revelou os valores totais envolvidos na liquidação.

A liquidação do mercado de curto prazo, realizada mensalmente, representa um acerto entre eventuais diferenças entre consumo ou geração de energia e os montantes contratados pelas empresas.

Aquelas que ficam inadimplentes podem ter iniciado um processo de desligamento junto à CCEE, que pode culminar com a expulsão da empresa do mercado de energia elétrica.

Os valores não quitados são cobrados novamente na liquidação do mês seguinte.

O especialista em mercados de eletricidade Alexandre Street, professor da PUC-RJ, explicou que as regras preveem um rateio da inadimplência entre as empresas que possuem créditos a receber na liquidação da CCEE, como aquelas com sobras de energia.

"Justamente as usinas que estão gerando superávit para o sistema, como eólicas, plantas a biomassa e térmicas que estão produzindo acima do que venderam em contrato, não estão recebendo por isso neste momento em que deveriam estar lucrando", lamentou Street.

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