6 de Agosto de 2015 / às 19:57 / 2 anos atrás

Liquidação do mercado de energia tem inadimplência recorde de R$1,4 bi, diz CCEE

SÃO PAULO (Reuters) - A liquidação financeira do mercado de energia de curto prazo referente a junho de 2015 registrou uma inadimplência recorde de 1,4 bilhão de reais, o equivalente a 47,2 por cento dos 3 bilhões de reais envolvidos na operação, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta quinta-feira.

Segundo a instituição, 29,8 por cento do valor não pago, ou 891,9 milhões de reais, está coberto por liminares, a maior parte associada a empresas que obtiveram recentemente proteção judicial contra perdas decorrentes do déficit de geração registrado pelas hidrelétricas devido à seca.

Enquanto empresas e o governo negociam uma solução para o déficit hídrico, uma grande inadimplência já era prevista, conforme antecipou na terça-feira a Reuters, que também revelou os valores totais envolvidos na liquidação.

A liquidação do mercado de curto prazo, realizada mensalmente, representa um acerto entre eventuais diferenças entre consumo ou geração de energia e os montantes contratados pelas empresas.

Aquelas que ficam inadimplentes podem ter iniciado um processo de desligamento junto à CCEE, que pode culminar com a expulsão da empresa do mercado de energia elétrica.

Os valores não quitados são cobrados novamente na liquidação do mês seguinte.

O especialista em mercados de eletricidade Alexandre Street, professor da PUC-RJ, explicou que as regras preveem um rateio da inadimplência entre as empresas que possuem créditos a receber na liquidação da CCEE, como aquelas com sobras de energia.

"Justamente as usinas que estão gerando superávit para o sistema, como eólicas, plantas a biomassa e térmicas que estão produzindo acima do que venderam em contrato, não estão recebendo por isso neste momento em que deveriam estar lucrando", lamentou Street.

LIMINARES

Descontados os débitos suspensos por liminares, a inadimplência seria de 17,47 por cento, ou 522,6 milhões de reais, segundo a CCEE.

A maior inadimplência já registrada no mercado de curto prazo desde 2003, quando começaram a ser realizadas as liquidações financeiras, havia sido de 662,7 milhões, em abril de 2014.

Em maio deste ano, também devido a decisões judiciais, a CCEE já havia visto um elevado calote, de 460 milhões de reais.

Para se ter uma ideia, a inadimplência média registrada em 2014 foi de 183 milhões de reais por liquidação, quando desconsiderados casos excepcionais em que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o adiamento de pagamentos.

Por Luciano Costa

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