Dólar sobe pela 6ª sessão seguida, a R$3,5374, por cenário político conturbado

quinta-feira, 6 de agosto de 2015 17:35 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu pela sexta sessão seguida nesta quinta-feira, chegando a ser cotado a 3,57 reais durante o pregão, reagindo ao cenário político conturbado no Brasil e a expectativas de alta de juros nos Estados Unidos.

O dólar fechou em alta de 1,39 por cento, a 3,5374 reais na venda, maior cotação desde 5 de março de 2003, quando fechou a 3,555 reais. A valorização acumulada em seis sessões é de 6,25 por cento.

Na máxima da sessão, o dólar subiu 2,35 por cento, a 3,5709 reais, mas perdeu força após o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmar em entrevista ao ValorPro, serviço do jornal Valor Econômico, que o preço do dólar ante o real "está claramente esticado" e que ele entende que "os agentes estão agindo aparentemente com pouca racionalidade".

"O mercado entendeu os comentários do Aldo como uma mensagem que o Banco Central não está satisfeito com o atual patamar da moeda e pode aumentar o ritmo de rolagem (dos contratos de swap cambial)", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Italo Abucater.

Nesta manhã, o BC deu continuidade à rolagem dos contratos que vencem em setembro, vendendo a oferta total de até 6 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou o correspondente a 1,167 bilhão de dólares, ou cerca de 12 por cento do lote total, equivalente a 10,027 bilhões de dólares. Se mantiver esse ritmo até o penúltimo dia útil do mês, como de praxe, o BC rolará cerca de 60 por cento do lote.

Pesquisa Datafolha mostrou nesta quinta-feira que a impopularidade da presidente Dilma Rousseff é recorde entre todos os presidentes desde 1990 e dois terços da população acreditam que o Congresso deveria abrir processo de impeachment contra a petista.

Nenhum dos operadores consultados pela Reuters nesta sessão trabalha com o cenário de afastamento da presidente como base, mas o mercado já embute alguma chance de isso se acontecer, segundo eles. Somava-se a isso outras turbulências políticas, com atritos entre o Legislativo e o Executivo gerando entraves para a aprovação de projetos importantes para o governo no Congresso.

"Eles (Congresso) estão atropelando a Dilma", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho. "Enquanto a situação estiver confusa como agora, o dólar não vai parar de subir."   Continuação...

 
Bancário exibe notas de dólar norte-americano em Yangon, Mianmar, em julho. 17/07/2015 REUTERS/Soe Zeya Tun