Empresas de transporte têm déficit de 10% entre custos e receitas, diz associação

quinta-feira, 6 de agosto de 2015 18:03 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Empresas transportadoras de carga do Brasil não conseguiram reajustar os valores dos fretes na medida desejada e continuam com defasagem entre os preços praticados e os custos da atividade, em meio à desaceleração da economia do país, mostrou nesta quinta-feira uma pesquisa feita pela entidade que representa o setor.

Os fretes praticados atualmente estão 10,14 por cento abaixo dos custos efetivos das transportadoras, segundo levantamento semestral realizado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).

No fim de 2014, a defasagem era de cerca de 14 por cento.

No primeiro trimestre houve o habitual reajuste dos contratos entre transportadoras e seus clientes, mas as altas ficaram aquém do pretendido.

"Deveria ter diminuído mais (a defasagem). Historicamente diminui mais. A concentração da negociação de frete é no início do ano. Ao longo do ano os custos vão subindo", disse à Reuters o assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdívia, que projeta uma nova ampliação do déficit na pesquisa do final deste ano.

A entidade não faz um levantamento específico sobre os preços de frete praticados, limitando-se a mensurar a diferença entre a receita das empresas e uma tabela de custos.

A desaceleração econômica do país tem prejudicado a demanda por fretes, impedindo grandes reajustes.

"Esse ano, a preocupação está no volume de cargas, que diminuiu, em função do encolhimento da economia", disse Valdívia, referindo-se à retração do Produto Interno Bruto (PIB), que deverá ser de 1,8 por cento este ano, segundo pesquisa Focus, do Banco Central.   Continuação...