Dólar sobe mais de 1,5% e encosta em R$3,50 após China desvalorizar iuan

terça-feira, 11 de agosto de 2015 21:28 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de mais de 1,5 por cento nesta terça-feira, encostando novamente no patamar de 3,50 reais, após a China surpreender e promover forte desvalorização do iuan, golpeando boa parte das moedas emergentes nos mercados globais.

A moeda norte-americana avançou 1,59 por cento, a 3,4978 reais na venda, após recuar quase 2 por cento na véspera. Na máxima da sessão, o dólar chegou a 3,5173 reais, alta de 2,16 por cento.

"A inesperada desvalorização na China está provocando ampla aversão ao risco nos mercados, com os agentes considerando as implicações para a demanda global por commodities, a inflação e o balanço de riscos ao crescimento", escreveram analistas do Scotiabank em nota a clientes.

A China desvalorizou sua moeda em quase 2 por cento, medida que classificou como reforma para liberalizar os mercados. Números fracos sobre a segunda maior economia do mundo e o tombo da bolsa do país têm gerado preocupação com o crescimento chinês e o iuan mais fraco pode servir de estímulo à atividade, incentivando exportações.

Moedas ligadas a commodities, como o dólar australiano e o peso chileno, estiveramentre as que mais sofreram nesta sessão.

"A decisão da China é uma forma de proteger a balança comercial do país, mas isso mostra que a economia não está bem e uma crise na China afeta o mercado global", disse o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo De Gracia Correa.

O movimento foi, em parte, segurado pelo alívio em relação à grave crise política no Brasil, que vem impulsionando a moeda norte-americana nas últimas semanas.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou na véspera que a discussão sobre eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não é prioridade do Congresso Nacional e que priorizar este assunto é o mesmo que colocar fogo no país.

Segundo operadores, o apoio de Renan ao governo pode atenuar os atritos entre o Executivo e o Legislativo.   Continuação...

 
Mulher conta notas de dólar norte-americano em casa de câmbio em Yangon, Mianmar. 23/05/2013 REUTERS/Soe Zeya Tun