Moody's rebaixa Brasil e coloca rating em perspectiva "estável"

terça-feira, 11 de agosto de 2015 20:45 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's rebaixou nesta terça-feira o rating soberano do Brasil para "Baa3", última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, mas alterou a perspectiva da nota para "estável" ante "negativa", sinalizando que o selo de bom pagador do país deve ser mantido no curto prazo.

Apesar do rebaixamento, a melhora da perspectiva para o rating da dívida brasileira trouxe um certo alívio, pois havia o receio por parte dos agentes de mercado de que a Moody's pudesse manter a perspectiva "negativa", o que elevaria o risco de o país perder o grau de investimento no curto prazo.

"A notícia foi menos pior que o esperado, uma vez que os investidores estavam começando a acreditar que a Moody's alcançaria a Standard & Poor's e deixaria o Brasil mais perto de perder o grau de investimento", disse o sócio gestor da Canepa Asset Management, Alexandre Póvoa. "Mesmo assim, é negativo. Não se pode negar que as coisas não estão funcionando como deveriam e a decisão da Moody's reflete isso."

A Moody's citou, entre os motivos para o rebaixamento, a fraqueza da economia, a tendência de aumento de gastos públicos e os reflexos da operação Lava Jato na confiança de investidores no Brasil.

"O desempenho econômico mais fraco do que o esperado, a tendência ascendente das despesas do governo e a falta de consenso político sobre as reformas fiscais vão impedir as autoridades de atingirem superávits primários elevados o suficiente para conter e reverter a tendência de aumento da dívida neste ano e no próximo, e desafiarão a capacidade de fazê-lo depois", disse a Moody's em comunicado.

Mas, na visão de economistas, a perspectiva estável dá ao país mais tempo para a se recuperar e evitar a perda do selo de bom pagador.

"Estão nos dando mais tempo para a recuperação do crescimento, das medidas fiscais. Acho que estão dando um voto de credibilidade para as ações da equipe econômica, o que é positivo", disse o economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall.

Logo após o anúncio da Moody's, a Bovespa reduziu as perdas nos ajustes de fechamento e o dólar futuro abrandou a alta.

A melhora na perspectiva se deve à expectativa da Moody's de que a dívida pública se estabilize na segunda metade do governo da presidente Dilma Rousseff, disse o analista sênior da agência Moody's Mauro Leos.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante sessão de comissão na Câmara dos Deputados, em Brasília, em julho. 15/07/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino