China permite que iuan se desvalorize mais e alimenta temores de guerra cambial

quarta-feira, 12 de agosto de 2015 08:00 BRT
 

XANGAI (Reuters) - O iuan chinês atingiu a mínima em quatro anos nesta quarta-feira, recuando pelo segundo dia consecutivo, após autoridades desvalorizarem-no em uma manobra que alimentou temores de uma guerra cambial mundial e acusações de que Pequim está auxiliando injustamente seus exportadores, que vêm enfrentando dificuldades.

O iuan à vista na China caiu para 6,45 por dólar, nível mais fraco desde agosto de 2011, depois de o banco central fixar o ponto médio diário que coloca como referência a 6,3306, ainda mais fraco do que a desvalorização de terça-feira.

A moeda tinha desempenho pior nos mercados externos, tocando 6,59.

O BC, que havia descrito a desvalorização como uma medida não recorrente com fim de tornar o iuan mais reativo às forças do mercado, buscou assegurar aos mercados financeiros nesta quarta-feira que não está embarcando em uma depreciação constante.

"Avaliando a situação econômica doméstica e internacional, atualmente não há base para uma tendência de depreciação sustentada do iuan", informou o Banco do Povo da China.

Operadores de câmbio disseram mais tarde que bancos estatais estavam vendendo dólares em nome do banco central para manter o iuan em torno de 6,43.

"Aparentemente, o banco central não quer que o iuan fuja do controle", disse um operador em um banco europeu em Xangai.

Um operador em outro banco europeu disse que a desvalorização inesperada provocou "algum pânico" nos mercados.

"Embora o banco central tenha dado explicações novamente hoje, destacando que o iuan não vai mostrar depreciação sustentada, o mercado está muito nervoso", disse.

Analistas do BMI reduziram suas projeções para a moeda no fim do ano a 6,83, queda de 10 por cento em relação aos níveis pré-desvalorização.

O iuan perdeu 3,5 por cento na China nos dois últimos dias e cerca de 4,8 por cento nos mercados globais.

 
Homem olhando painel de cotações da bolsa de valores em Haikou, na China.  11/08/2015    REUTERS/Stringer