CSN contrata bancos para venda de ativos, negocia alongamento de dívidas de 2016 e 2017

quinta-feira, 13 de agosto de 2015 12:56 BRT
 

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - A Companhia Siderúrgica Nacional contratou bancos para auxiliá-la na venda de uma série de ativos não essenciais nos próximos meses e está perto de concluir negociações para alongamento de dívidas que vencem em 2016 e 2017, afirmaram executivos da empresa nesta quinta-feira.

Segundo o diretor de relações com investidores, Gustavo Henrique de Sousa, o alongamento da dívida dos dois próximos anos serve para dar "tranquilidade" para a companhia vender os ativos, depois que o nível de alavancagem da empresa ao final de junho chegou a 5,6 vezes a dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

Durante teleconferência com analistas, os executivos da empresa não deram detalhes objetivos sobre o montante que a CSN pretende levantar com a venda de ativos para redução do nível de endividamento, tampouco quando ocorreria a primeira venda. Entre os alvos de venda mencionados há meses pela empresa está a participação acionária na rival Usiminas e o terminal de contêineres Sepetiba Tecon, no Rio de Janeiro.

Para frisar aos analistas o comprometimento da companhia em redução da alavancagem, o presidente da companhia, Benjamin Steinbruch, fez uma aparição rara durante a teleconferência e afirmou que a empresa vai "desmobilizar ativos periféricos" e que já contratou "bancos que vão nos auxiliar nessa proposta".

A CSN terminou junho com dívida líquida de cerca de 20,8 bilhões de reais, aumento de 24 por cento sobre um ano antes impulsionado pela desvalorização do real ante o dólar.

Segundo analistas do Itaú BBA, 50 por cento da dívida da CSN está denominada em dólares e, por isso, a contínua desvalorização do real deve colocar pressão adicional sobre a alavancagem da empresa, que deve continuar crescendo.

De fato, a grande preocupação dos analistas na teleconferência envolveu a situação de endividamento da CSN, que tem vencimentos de 24 bilhões de reais nos próximos cinco anos.

O diretor-executivo da empresa, Paulo Rogério Caffarelli, afirmou que a CSN vai "conviver durante algum tempo com alavancagem acima do ideal", mas que a estratégia de alongar as dívidas que vencem em 2016 e 2017 dará tempo para a venda de ativos sem atropelos e que os recursos dessas vendas serão destinados para pagamento de dívidas mais caras.   Continuação...