BB promete inadimplência estável, mas salto nas renegociações preocupam e ações caem

quinta-feira, 13 de agosto de 2015 15:32 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A estabilidade dos calotes no segundo trimestre e a promessa de foco na qualidade dos ativos foram insuficientes para amainar o ceticismo de investidores com o salto no volume de renegociação do Banco do Brasil, cujas ações caíam forte na bolsa.

O movimento sublinha o ceticismo do mercado com a habilidade dos banco estatais de evitarem uma escalada da inadimplência num momento de contração da economia do país, após o BB ter expandido seus empréstimos acima do ritmo dos rivais privados.

"O controle da inadimplência é o principal indicador a ser monitorado pelo banco nos próximos trimestres", disse nesta quinta-feira a jornalistas o presidente-executivo do BB, Alexandre Abreu.

Mais cedo, o banco anunciou lucro líquido de 3 bilhões entre abril e junho, quase em linha com as projeções de analistas. O índice de inadimplência acima de 90 dias até recuou de 2,05 para 2,04 por cento na base sequencial.

Mas um ponto negativo chamou a atenção de analistas.

Um deles foi o volume em renegociação por atraso, que disparou 89,5 por cento em apenas um trimestre, a 3,7 bilhões de reais. Sobre um ano antes a alta foi ainda maior: 281 por cento.

Também na coletiva com a imprensa, o vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do banco, Walter Malieni, atribuiu o movimento à mudança de postura do BB, que passou a renegociar mais cedo com clientes inadimplentes. "Nosso objetivo é educar o tomador", disse Malieni.

Analistas, no entanto, preferiram enxergar a medida como um indicador paralelo de piora da qualidade da carteira.   Continuação...