JBS vê início de exportação de carne bovina in natura do Brasil aos EUA em 2016

sexta-feira, 14 de agosto de 2015 11:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia de alimentos JBS espera que as exportações de carne bovina in natura do Brasil aos Estados Unidos deverão ocorrer apenas em 2016, apesar da expectativa do governo brasileiro de início das vendas do produto ainda este ano.

O presidente da maior empresa de carnes do mundo, Wesley Batista, afirmou a analistas nesta sexta-feira que trâmites burocráticos ainda precisam ser superados para o início dos embarques.

No final de junho, os EUA deram o primeiro passo para liberar a importação de carne bovina fresca ou congelada do Brasil após restrição que durava 15 anos. A medida, segundo o Ministério da Agricultura, poderá permitir exportação de 40 mil toneladas anuais do produto. Atualmente, o Brasil exporta apenas carne processada para o mercado norte-americano.

Segundo Batista, a expectativa da JBS é de um crescimento de 2 por cento no rebanho de bovinos para abate nos EUA no próximo ano, o que deve ajudar em parte a pressionar os preços da carne naquele país.

"Estamos vendo baixa de preço de gado bovino nos EUA por causa de aumento de oferta. (...) Para 2016 vai ter mais estabilidade em preço ou até mesmo pressão (sobre preços) por causa da maior disponibilidade", disse o executivo.

A JBS divulgou na noite da véspera que encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de 80 milhões de reais, queda de 68 por cento sobre o resultado obtido um ano antes e de 94 por cento sobre os três primeiros meses deste ano.

As ações da companhia exibiam queda de 2 por cento depois do resultado, que foi impactado por despesa financeira de 2 bilhões de reais relacionada à proteção contra variação cambial.

Questionado por analistas, Batista afirmou que a "não é prudente" no momento deixar a JBS, uma das maiores exportadoras do Brasil, exposta ao câmbio. "Não acreditamos em hedge natural, porque isso só ocorre se você garante que o preço (dos produtos) não vai cair", disse o executivo ao explicar que a empresa optou por fazer hedge cambial não só para a controladora do grupo como para suas subsidiárias.

"Com o aumento das incertezas --queda no preço de commodities, preocupação com China, cenário desafiador brasileiro-- passamos 2014 inteiro fazendo hedge da posição da controladora e achamos agora que estarmos expostos ao dólar não é prudente", disse o executivo. "Preferimos ter o custo disso (proteção cambial) e saber quanto isso nos custa. O câmbio não temos controle para onde pode ir", acrescentou.   Continuação...