CPFL vê margem menor em distribuição; alavancagem sobe no trimestre

sexta-feira, 14 de agosto de 2015 13:24 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A CPFL viu uma redução nas margens do segmento de distribuição de energia elétrica em 2015, com a redução do consumo puxada pelo reajuste das tarifas, mas ainda não enfrentou um aumento da inadimplência, que tem se mantido estável, afirmou o presidente do grupo, Wilson Ferreira Jr, nesta sexta-feira, em teleconferência.

O executivo disse que a companhia ainda carrega cerca de 1,6 bilhão de reais em custos, como a compra de energia termelétrica, não repassados aos consumidores, uma conta que subiu 43 por cento em relação ao primeiro trimestre deste ano e aumentou a alavancagem da empresa.

“O impacto que estamos tendo aqui (na alavancagem) é especialmente por conta do carregamento, desde o ano passado, do aumento dessa conta gráfica (de custos não repassados às tarifas)”, disse Ferreira, que destacou que o descompasso tem aumentado mesmo com a aplicação de um reajuste tarifário extraordinário e o início da cobrança de bandeiras tarifárias neste ano.

A relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da CPFL passou para 3,67 vezes no trimestre, ante 3,44 vezes no mesmo período de 2014. Segundo Ferreira, esse número estaria em 3,23 vezes se não fossem os valores ainda não repassados ao consumidor.

A situação faz com que o grupo se prepare para apresentar posição contrária à redução dos valores extras cobrados do consumidor na bandeira tarifária vermelha, que hoje são de 5,50 reais a cada 100 quilowatts-hora, e poderiam cair para 4,50 reais por kWh, segundo sugestão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) colocada em audiência pública nesta semana.

“O momento enseja, pela dificuldade que as próprias distribuidoras estão tendo com o mercado, enfrentar esse aumento de uma conta que na verdade está beneficiando o próprio consumidor. Se (esse custo) não for repassado (para as tarifas) agora, será repassado mais à frente, reajustado pela Selic... até para fins de inflação teria impacto menor”, disse Ferreira.

Pelas contas do executivo, mesmo mantido o atual patamar das bandeiras tarifárias, as distribuidoras encerrariam o ano com déficit de caixa, ou seja, com custos ainda a serem repassados ao consumidor no próximo reajuste, o que faria com que uma redução não fosse prudente.

“Não é razoável que você faça mudança de precificação, dado que neste momento tem um rombo, e esse rombo, mesmo diminuindo o despacho termelétrico, não vai terminar até o final do ano”, disse Ferreira.

O diretor vice-presidente financeiro da CPFL, Gustavo Estrella, disse que, para o grupo, esse “rombo” começa a ser fechado em 2016, quando as distribuidoras CPFL Paulista e RGE, as maiores da holding, aplicarão reajustes tarifários.   Continuação...