Liderança política do governo é necessária para perspectiva de crescimento do Brasil, diz JP Morgan

sexta-feira, 14 de agosto de 2015 17:27 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Uma forte liderança política do governo federal é necessária para uma perspectiva mais sólida entre investidores sobre o crescimento da economia brasileira e reversão do viés negativo que atinge o mercado acionário brasileiro, avalia o chefe de Pesquisa de Ações para América Latina do JP Morgan, Pedro Martins.

"Sem isso o canal de transmissão entre o reequilíbrio macroeconômico e a confiança empresarial e do consumo pode permanecer obstruído", afirmou Martins à Reuters, destacando a necessidade de um rebalanceamento macroeconômico que melhore a relação entre risco e retorno para se aplicar no país.

Uma condução política dominante pelo governo federal, entende Martins, facilitaria, por exemplo, a aprovação da agenda da equipe econômica no Congresso Nacional, particularmente no que se refere ao item fiscal, que representa o principal desafio a ser equacionado neste rearranjo macroeconômico.

A variável fiscal figura nos principais riscos domésticos à bolsa brasileira nos próximos seis meses.

Entre eles, aparece também a chance do Brasil perder o grau de investimento de seu rating soberano, justamente em razão do desequilíbrio das contas públicas, além de política monetária apertada e fraco crescimento, que combinados deterioram a dinâmica da dívida do país.

"Essa dinâmica pode comprometer o perfil de crédito do Brasil. A equipe de economia do JPMorgan espera que o país perca sua classificação de grau de investimento de pelo menos uma das três agências de rating mais importantes nos próximos anos", afirmou.

Para o JPMorgan, se houver um avanço na agenda fiscal, o Ibovespa pode avançar para o patamar dos 58 mil pontos, em um horizonte de seis meses. Mas, considerando o atual nível de risco, o índice deveria estar ao redor de 44 mil pontos. Nesta sexta-feira, o índice encerrou no patamar dos 47 mil pontos.

Outro risco desfavorável do ponto de vista macroeconômico para a Bovespa, vê Martins, vem da contração da economia, em meio a juros elevados e desvalorização cambial, que cria um cenário de crescimento de lucros das empresas para 2016 ainda difícil.   Continuação...