ANÁLISE-Fraqueza persistente da economia testa resiliência do setor financeiro na bolsa

sexta-feira, 14 de agosto de 2015 18:14 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A fraqueza prolongada da economia brasileira causou estragos na resiliência do setor financeiro e as dúvidas do mercado sobre a capacidade dessas instituições de manter rentabilidade elevada e qualidade dos ativos já começa a pesar nas ações.

Essas companhias conseguiram entregar lucro em linha ou até um pouco acima das previsões médias de analistas para o segundo trimestre, mas investidores se concentraram mesmo foi nos sinais para o futuro.

De formas variadas, a mensagem enviada por executivos de bancos, seguradoras, empresas de cartões e de infraestrutura de mercado de capitais foi a de que os eventuais ganhos financeiros oriundos de taxas de juros mais altas não serão o bastante para sustentar os resultados robustos observados nos últimos anos, se a economia não reagir logo.

"Não dá para manter o nível dos resultados por um tempo muito longo se a economia não ajudar", disse à Reuters o diretor de Relações com Investidores do BTG Pactual, João Dantas, referindo-se ao compromisso que o grupo liderado pelo banqueiro André Esteves tem feito ao mercado de manter rentabilidade sobre o patrimônio ao redor de 20 por cento.

É uma promessa cumprida até agora por BTG Pactual, Itaú Unibanco e Bradesco e reiterada ao divulgarem seus resultados mais recentes, porém com menos vigor que nos últimos trimestres.

"Há limites para manter alta rentabilidade num ambiente de fraqueza econômica", disse a jornalistas o diretor de Relações com Investidores do Itaú Unibanco, Marcelo Kopel.

Empresas financeiras sabem como ninguém a importância de entregar rentabilidade maior para convencer o investidor a ficar com suas ações em vez dos títulos do governo referenciados na Selic, hoje em 14,25 por cento ao ano, pico em quase uma década.

Nesse sentido, a recente compra da unidade brasileira do HSBC pelo Bradesco foi elogiada por analistas por ser talvez a melhor oportunidade de aplicar o capital, devido aos ganhos potenciais de eficiência via escala.   Continuação...