Sabesp não descarta manter política de bônus e sobretaxa em 2016

terça-feira, 18 de agosto de 2015 13:50 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia de água e saneamento paulista, Sabesp, não descarta a possibilidade de manter a política de concessão de bônus e cobrança de sobretaxa nas tarifas em 2016, diante de um cenário de crise hídrica que persiste no Estado.

O diretor financeiro da Sabesp, Rui Affonso, afirmou a analistas e jornalistas nesta terça-feira que "tanto o bônus quanto o ônus são episódicos e concebidos como reação a uma crise hídrica extrema (...) A crise vai continuar em 2016? Não sabemos, não sei se continuaremos em crise", disse o executivo ao responder se a política poderá ser mantida no próximo ano.

A companhia teve lucro líquido de 337 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 11,5 por cento sobre o resultado obtido um ano antes.

Segundo Affonso, a Sabesp deve apresentar à agência reguladora estadual Arsesp uma proposta para uma nova estrutura tarifária da companhia e entre os itens estudados está eventual fim da chamada "tarifa mínima" cobrada atualmente de consumidores que consumirem no máximo 10 metros cúbicos de água por mês.

"Inúmeros modelos estão sendo analisados e tarifa mínima é um deles", afirmou o executivo.

Segundo a companhia as duas primeiras semanas de agosto mostraram chuvas chegando ao sistema de reservatórios Cantareira em um nível abaixo do verificado no ano passado. Em julho, as chuvas sobre o sistema ficaram abaixo da média histórica, mas foram o dobro do registrado um ano antes.

Para amenizar a situação, a Sabesp está investindo em aumento de "produção" de água e a principal obra prevista para o ano, a interligação do sistema Billings com o Alto Tietê deve ficar pronta até setembro, estando atualmente 80 por cento concluída, afirmou Affonso. A obra vai elevar em 4 metros cúbicos a segurança hídrica do Alto Tietê, que exibia nesta terça-feira 15,6 por cento de volume armazenado.

Affonso afirmou que métricas de endividamento acordadas com credores seguem sob pressão pela escassez hídrica e pela crise econômica do país. Porém, ele afirmou que a empresa tem reduzido custos e espera contar no próximo trimestre com impacto cheio do aumento de tarifas de 15,24 por cento aprovado pela Arsesp e que entrou em vigor em junho.

Segundo ele, "apenas 1,5 por cento do reajuste contou neste trimestre para fortalecer o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização)". A Sabesp teve Ebitda de 756,6 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 14,3 por cento sobre um ano antes.   Continuação...