Melhora do emprego aproxima Fed de alta de juros, mas inflação pesa, mostra ata do Fomc

quarta-feira, 19 de agosto de 2015 15:55 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - A melhora do mercado de trabalho deixou o Federal Reserve, banco central norte-americano, mais próximo de elevar os juros na reunião do mês passado, mas membros ainda expressaram amplas preocupações com a inflação lenta e o estado fraco da economia global como riscos muito grandes para se comprometer com aumento, de acordo com a ata do encontro de julho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

Apenas uma das autoridades estava pronta para votar a favor da alta de juros no encontro ocorrido nos dias 28 e 29 passados, enquanto um grupo "avaliava que as condições econômicas para começar a aumentar a taxa básica de juros foram cumpridas ou que serão cumpridas em breve", de acordo com a ata.

Esse sentimento, combinado com maior reconhecimento entre "muitos membros" de que o pleno emprego está próximo, levou o comitê a informar em seu comunicado que só precisava ver "alguma" melhora adicional nos mercados de trabalho antes de elevar os juros.

No entanto, este sentimento foi ofuscado pela preocupação aparentemente ampla sobre a baixa inflação, salários fracos e por que uma recuperação de seis anos não havia colocado o Fed mais perto de sua meta de inflação de 2 por cento.

"Quase todos os membros... precisariam ver mais evidência de que o crescimento econômico estava suficientemente forte e que as condições do mercado de trabalho tinham se firmado para que se sentissem razoavelmente confiantes de que a inflação retornaria ao objetivo de longo prazo do Comitê ao longo do médio prazo", trouxe a ata. O Fed tem dito que quer estar "razoavelmente confiante" sobre a perspectiva para a inflação antes de uma alta dos juros.

Muitos membros do Fed disseram publicamente que sentiam que a alta em setembro provavelmente seria justificada, mas que estão monitorando dados de trabalho e outros de perto. Apesar de o movimento inicial ter pouco impacto sobre as taxas ao consumidor ou de empréstimos, que já se ajustaram para cima nos meses recentes, ele ainda marca o início de um processo que vai gradualmente tornar mais caro comprar imóveis e carros, ou financiar férias no cartão de crédito.

As taxas de retorno nos títulos públicos de longo prazo dos EUA caíram fortemente e o dólar enfraqueceu, sugerindo que os investidores viram a ata como uma indicação de que o Fed será cauteloso sobre a elevação de juros.

A ata divulgada não trouxe uma referência clara sobre possível aumento de juros em setembro.

No entanto, a discussão na reunião parecer estar na mesa. O Fed começou a discutir os mecanismos de como terminar sua atual política de reinvestir os rendimentos de títulos vencendo e outros ativos comprados pelo Fed durante três fases do seu programa de estímulo, o "quantitative easing". O Fed já prometeu não reduzir seus ativos até após começar a elevar os juros.

(Reportagem de Howard Schneider)

 
Mulher preenche ficha de emprego em Los Angeles, nos Estados Unidos, em junho. 04/04/2015 REUTERS/David McNew/Files