Desemprego salta ao maior nível em 5 anos em julho; população atrás de emprego cresce 10%

quinta-feira, 20 de agosto de 2015 10:55 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A taxa de desemprego no Brasil saltou para 7,5 por cento em julho, maior nível em mais de 5 anos, em consequência do aumento de quase 10 por cento da população desocupada, números que reforçam o quadro de recessão no país em meio ao cenário de inflação alta e instabilidade política.

O resultado do mês passado é o maior desde maio de 2010, quando também ficou em 7,5 por cento, e veio bem pior do que a mais elevada projeção em pesquisa Reuters, cuja mediana apontava para 7,05 por cento. Em junho, a taxa havia sido de 6,9 por cento.BRUNR=ECI

Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população desocupada cresceu 9,4 por cento em julho, na variação mensal, e 56 por cento sobre um ano antes, somando 1,844 milhão de pessoas que estão à procura de uma posição nas seis regiões metropolitanas analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

O aumento na comparação anual é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2003. Segundo o IBGE, a região de São Paulo foi a que mais sofreu quando se olham os números mensais, com aumento de 10,8 por cento da população desocupada.

"É uma procura crescente de trabalho que está sendo influenciada por pessoas que foram demitidas, mas também por pessoas que antes estavam inativas e saem dessa condição para tentar uma oportunidade. São duas frentes", afirmou a técnica do IBGE Adriana Beringuy.

Já a população ocupada ficou estagnada no mês passado frente a junho e recuou 0,9 por cento em base anual, a 22,755 milhões de pessoas.

O IBGE informou ainda que a renda média da população mostrou leve alta de 0,3 por cento em julho, chegando a 2.170,70 reais mensais. Sobre um ano antes, no entanto, houve queda de 2,4 por cento.

"Com inflação alta e demissões, o domicílio tem a renda comprometida e esse seria o principal motivo para que pessoas que estavam estudando passam agoura a fazer pressão sobre o mercado", acrescentou Adriana.   Continuação...

 
Pessoas preenchendo fichas de emprego, em São Paulo.  11/05/2015   REUTERS/Paulo Whitaker