Dólar sobe 1,57% e vai a R$3,60 pela 1ª vez em mais de 12 anos, com cena política

terça-feira, 25 de agosto de 2015 17:13 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1,5 por cento frente ao real nesta terça-feira, pela terceira sessão seguida, indo para o patamar de 3,60 reais pela primeira vez em 12 anos e meio, com o cenário político local conturbado ofuscando o alívio causado após o anúncio de medidas para impulsionar a economia na China.

A moeda norte-americana avançou 1,57 por cento, a 3,6084 reais na venda, máxima de fechamento desde 27 de fevereiro de 2003 (3,662 reais). Em três sessões, o dólar acumulou alta de 4,30 por cento.

"Tivemos um alívio mais cedo com a China, mas o cenário interno pesou. Ainda tem incertezas no lado político e isso está afetando o mercado", disse diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

Na mínima do dia, a divisa recuou 1,10 por cento, a 5,5135 reais, reagindo ao anúncio de medidas de apoio à economia da China.

Na terça-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, deixou o "dia a dia" da articulação política do governo, que vem enfrentando atritos com o Congresso e, em especial, com integrantes de seu partido, o PMDB. Nesta terça-feira, contudo, Temer afirmou que seguirá na coordenação, mas "formatada de outra maneira" e declarou que qualquer hipótese de impeachment da presidente Dilma Rousseff é "impensável".

"O mercado estressou bastante, de uma hora para a outra. Mesmo com essa melhora da China, a sensação é que as coisas estão muito ruins, principalmente em relação à política (no Brasil)", disse o operador de uma corretora nacional.

Na reta final do pregão, o dólar ampliou ainda mais a alta, com os mercados externos também perdendo ímpeto.

"Já vinha ruim aqui e o mercado (acionário) dos Estados Unidos virou no fim do dia, azedando ainda mais o humor por aqui", disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Mais cedo, a queda do dólar veio após o banco central da China cortar as taxas de juros e, ao mesmo tempo, afrouxar as taxas de compulsório pela segunda vez em dois meses. O anúncio veio após as bolsas chinesas despencarem mais de 8 por cento na segunda-feira e mais de 7 por cento nesta sessão.   Continuação...