Dólar cai, mas permanece em R$3,60, após comissão aprovar mudança na CSLL

quarta-feira, 26 de agosto de 2015 19:37 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, após três pregões seguidos de alta, mas continuou no patamar de 3,60 reais, após a comissão mista no Congresso Nacional aprovar a elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), aumentando a expectativa de maior necessidade de proteção cambial pelo bancos, o que desencadearia mais venda da divisa norte-americana.

A moeda norte-americana caiu 0,19 por cento, a 3,6014 reais. Na máxima da sessão, o dólar chegou a subir 1,33 por cento na máxima da sessão, a 3,6563 reais, maior patamar intradia desde 14 de fevereiro de 2003 (3,6700 reais).

Nesta tarde, a comissão mista no Congresso aprovou a elevação da alíquota da CSLL para instituições financeiras para 20 por cento até 1º de janeiro de 2019, quando volta a vigorar o percentual de 15 por cento.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), relatora da proposta, pretendia aumentar a alíquota da CSLL a 23 por cento, mas a comissão optou pelo menor percentual. A Medida Provisória 675 segue ao plenário da Câmara dos Deputados e depois, ao do Senado.

Bancos que têm subsidiárias no exterior costumam se proteger da variação cambial, já levando em consideração impostos que têm de pagar sobre seus ganhos. Com o maior tributo, cresce essa necessidade de "hedge" e, por isso, eles têm de vender mais dólares para cumprir suas obrigações.

"Foi só sair a confirmação e dólar voltou", resumiu o especialista em câmbio da Icap Corretora, Ítalo Abucater.

Em cada uma das três sessões anteriores, o dólar subiu mais de 1 por cento, acumulando avanço de 4,3 por cento no período. O movimento dos últimos dias teve como pano de fundo também preocupações com a desaceleração da economia chinesa.

A alta vista mais cedo nesta quarta-feira ocorreu após números fortes sobre a economia dos Estados Unidos, que mostraram alta de 2 por cento nos pedidos de bens duráveis, enquanto analistas esperavam queda de 4 por cento.

Mas investidores vêm colocando em dúvida a possibilidade de o Federal Reserve, banco central norte-americano, dar início ao aperto monetário ainda neste ano em meio à intensa volatilidade financeira, desencadeada pelo tombo das bolsas chinesas.   Continuação...

 
Funcionário de casa de câmbio no Rio de Janeiro. 24/08/2015 REUTERS/Ricardo Moraes