Moody's acredita que gastos do governo brasileiro continuarão subindo

quarta-feira, 26 de agosto de 2015 19:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de riscos Moody's disse nesta quarta-feira que os ratings do Brasil refletem as condições fiscais adversas e que os gastos do governo devem continuar subindo, apesar dos esforços para apertar as políticas fiscal e monetária e cortar gastos discricionários.

A Moody's publicou seu relatório de análise sobre o Brasil para refletir sobre o que a levou a cortar há duas semanas o rating do país para "Baa3", última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, assim como a mudar a perspectiva da nota de crédito para estável ante negativa. [nL1N10M2T0]

Com a expectativa de alta nos gastos, apesar dos esforços do governo, a Moody's acredita que a dívida do país vai continuar crescendo.

"Os superávits primários não serão grandes o suficiente para conter e reverter a elevação da dívida do país", disse o vice-presidente e analista sênior da Moody's, Mauro Leos.

A instabilidade política também pesa, disse a Moody's, citando a queda da aprovação da presidente Dilma Rousseff para mínimas recordes e a falta de consenso político entre Executivo e Legislativo que complica os esforços para reduzir os gastos obrigatórios, o que pode ser necessário para melhorar a situação fiscal do país.

No entanto, a agência de classificação de riscos acredita que o Brasil ainda é merecedor do selo de bom pagador devido às amplas reservas internacionais, que dá ao país forte capacidade de enfrentar choques financeiros externos. Além disso, a Moody's cita ainda a baixa exposição à divida em moeda estrangeira e os benefícios implícitos derivados da economia grande e diversificada.

(Por Flavia Bohone)