Setor de transmissão de energia está descapitalizado, diz associação de empresas

quinta-feira, 27 de agosto de 2015 13:39 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O setor de transmissão de energia elétrica está descapitalizado e com taxas de retornos calculadas em cima de dados defasados, o que dificulta a atração de investidores em um momento em que o financiamento é caro e escasso, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão (Abrate), Mário Miranda.

Na quarta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou um leilão que ofertou 11 lotes de empreendimentos de transmissão, dos quais apenas quatro receberam ofertas, provenientes de três empresas --a espanhola Isolux, a estatal goiana Celg GT e a Planova, estreante no setor.

Para o representante da Abrate, um dos problemas por trás da descapitalização do setor é a demora para a definição indenizações relacionadas a renovações de concessões de contratos por uma tarifa menor. A grande maioria das trasmissoras aguarda os recursos desde 2013.

Apenas a Eletrobras estima ter 21 bilhões de reais a receber, enquanto a Cteep calculou ter direito a 5,2 bilhões de reais e a Copel pede 882,3 milhões de reais.

"Essas empresas, que tiveram contratos prorrogados, normalmente abocanhavam 62 por cento do que era ofertado em leilão, só que agora elas estão totalmente descapitalizadas, não têm como investir", disse Miranda.

Recentemente, o especialista em energia da consultoria Deloitte, Luis Carlos Tsutomu, disse à Reuters que a definição sobre essas indenizações deve melhorar competição nos certames. "É um valor considerável no fluxo de caixa de todas elas, que deve facilitar com que elas retornem aos leilões", apontou.

Um ofício da Aneel sugeriu que as indenizações comecem a ser quitadas por meio de uma elevação nas tarifas de transmissão a partir do ciclo 2015/2016, mas ainda não há uma posição do governo sobre o assunto.

RECURSOS ESCASSOS   Continuação...