Eventual volta da CPMF é encarada com ceticismo no Congresso e criticada por indústria

quinta-feira, 27 de agosto de 2015 15:02 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Lideranças do Congresso Nacional encaram com ceticismo a possibilidade de um retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a indústria avalia como "absurda" a proposta em análise pelo governo de recriar o tributo.

Duas fontes do governo disseram à Reuters, sob condição de anonimato, que existem estudos sobre a recriação da CPMF como parte do esforço para melhorar as contas públicas.

A ideia seria retomar o tributo na forma de imposto e não mais como contribuição, partilhando a receita arrecadada com Estados e municípios, o que poderia aumentar o apoio político para aprovar a medida no Congresso.

Mas os presidentes do Senado e da Câmara manifestaram nesta quinta-feira que são contrários à recriação da CPMF, extinta em 2007 durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Da minha parte, eu sou contrário. Acho pouco provável que aprove aqui na Casa... Eu vejo pouca possibilidade de aprovar", afirmou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que rompeu com o governo em julho.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o país não está preparado para um aumento da carga tributária.

"Estamos numa crise econômica profunda e qualquer movimento nesta direção pode agravar a crise", disse ele a jornalistas.

"Nós precisamos criar condições para que a economia volte a crescer e aí com a economia crescendo, você pode pensar, sim, em elevar novamente a carga tributária. Mas com a economia em retração, não, é um tiro no pé. Não é recomendável", acrescentou.

Questionado por jornalistas, o vice-presidente da República, Michel Temer, classificou de "burburinho" a possível volta da CPMF. "Por enquanto é burburinho... Vamos esperar o que vai acontecer nos próximos dias", disse Temer, em São Paulo.   Continuação...