Déficit primário do Brasil tem pior julho da série, em meio ao cenário recessivo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015 16:14 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro teve déficit primário de 10,019 bilhões de reais em julho, acumulando em 12 meses rombo equivalente a 0,89 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o pior da série histórica do Banco Central, retratando os percalços para o cumprimento da meta fiscal de 2015 diante da economia em recessão e fraca arrecadação.

O BC também previu nesta sexta-feira que a dívida bruta como proporção do PIB ficará em agosto acima do patamar estimado pelo governo para o consolidado de 2015.

Segundo o BC, a métrica, que é acompanhada de perto pelas agências de classificação de risco, deverá encerrar este mês em 64,9 por cento, contra 64,6 por cento em julho, dando prosseguimento à trajetória de alta que é reflexo da deterioração das finanças públicas. Em dezembro de 2014, o patamar era de 58,9 por cento.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, assumiu a pasta com a bandeira de baixar o indicador no médio prazo. Em julho, quando a meta fiscal para o ano foi drasticamente reduzida, o governo reconheceu que a dívida sobre o PIB em 2015 ficaria maior, em 64,7 por cento, subindo em 2016 e sendo estabilizada apenas em 2017.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima, a tarefa do governo de atingir o objetivo previsto em relação à dívida bruta é árdua num cenário fiscal como o atual, com baixo recolhimento de tributos com atividade econômica encolhendo.

"É difícil imaginar como evitar isso (um indicador maior que o estimado pelo governo no ano) sem receitas extraordinárias", afirmou.

Em julho, o resultado do superávit primário foi o mais fraco para o mês desde o início da série histórica, em dezembro de 2001, contribuindo para aumentar a dívida bruta sobre o PIB.

Ele foi arrastado pelo saldo negativo de 6,040 bilhões de reais obtido pelo governo central (governo federal, BC e INSS), também influenciado pela contribuição negativa de 3,168 bilhões de reais de Estados e municípios e de 810 milhões de reais de empresas estatais.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino