Economia do Brasil tem pior 2º tri em seis anos e entra em recessão

sexta-feira, 28 de agosto de 2015 11:48 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira entrou em recessão técnica oficialmente ao encolher mais do que o esperado no segundo trimestre, com contração da indústria, serviços e agricultura, assim como queda nos investimentos e consumo das famílias, pavimentando ainda mais o caminho para o país fechar 2015 com o pior desempenho da atividade em 25 anos.

Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 1,9 por cento sobre os três meses anteriores e caiu 2,6 por cento na comparação anual, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Pesquisa Reuters apontava que a economia teria queda de 1,7 por cento entre abril e junho frente ao trimestre anterior e de 2 por cento sobre um ano antes.

O resultado de abril a junho foi o pior desde o início de 2009, auge da crise financeira global, tanto na base anual quanto trimestral. Também foi o segundo período de três meses consecutivo de contração no Brasil, depois da queda revisada de 0,7 por cento no primeiro trimestre deste ano contra o período imediatamente anterior.

"O consumo já não é mais o motor de crescimento pois as pessoas estão começando a se ajustar à realidade..., estão pisando no freio. Estamos lidando com muito mais desemprego e confiança mais baixa", afirmou o economista-sênior do BESI, Flavio Serrano.

Segundo o IBGE, no trimestre passado, o consumo das famílias teve o pior resultado em mais de 14 anos, com queda de 2,1 por cento sobre janeiro a março. Foi o segundo período seguido de contração, depois de queda de 1,5 por cento no primeiro trimestre.

"O consumo das famílias reflete uma deterioração do emprego e da renda no país. Há ainda encolhimento do crédito, aumento da inflação e os juros estão mais altos", afirmou a coordenadora da pesquisa de PIB do IBGE, Rebeca Palis.

Ainda segundo o IBGE, o consumo do governo foi exceção aos números negativos, com crescimento de 0,7 por cento no período.   Continuação...

 
Carros novos estacionados em pátio de estoque na fábrica da Volkswagen em Taubaté, no interior de São Paulo, em junho. 19/06/2015 REUTERS/Paulo Whitaker