28 de Agosto de 2015 / às 18:38 / 2 anos atrás

ENTREVISTA-Arteris vê estabilidade em tráfego de veículos leves, mas risco com retração da economia

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de concessões rodoviárias Arteris ARTR3.SA ainda não viu queda no tráfego de carros nas estradas que administra no Brasil, mas acredita que o segmento pode sentir impacto se a economia continuar retraindo, em um momento em que a empresa já sente menor fluxo de veículos pesados.

"O tráfego de veículos leves está se mantendo... Mas à medida que o desemprego aumenta, assim como a inadimplência, e a renda disponível da população não aumentar, isso vai acabar impactando", disse o presidente-executivo da companhia, David Díaz, à Reuters.

A Arteris, que administra o maior conjunto de rodovias do país em número de quilômetros, é controlada indiretamente pelo grupo espanhol Abertis (ABE.MC) e pela canadense Brookfield.

No curto prazo, alguns fatores podem fazer com que o fluxo de veículos leves seja favorecido, como o dólar mais alto, que faz com que brasileiros prefiram destinos nacionais aos internacionais, disse Díaz.

O volume de tráfego de veículos leves nas estradas administradas pela companhia de abril a junho subiu 2,75 por cento ante o mesmo período do ano passado, para 52,66 milhões. Enquanto isso, o tráfego de veículos pesados caiu 8,3 por cento, para 112,5 milhões.

A empresa tem quatro concessões estaduais de rodovias e cinco federais e no segundo trimestre cerca de 60 por cento do tráfego em estradas estaduais foi formado por veículos pesados, proporção que sobe a 71 por cento no caso das concessões federais.

O executivo afirmou que apesar da desaceleração do tráfego de veículos comerciais, a Arteris pretende continuar focada exclusivamente em concessões de estradas, "basicamente porque as oportunidades que estamos olhando no setor de rodovias são gigantes", por conta do déficit de infraestrutura do país.

Ao mesmo tempo em que avalia as concessões anunciadas na nova etapa do programa de infraestrutura do governo federal, a Arteris tem na mira ativos sob sua concessão que também constam no Programa de Investimento em Logística (PIL) e podem ser objeto de aditivos contratuais.

"O cronograma (dos aditivos) ainda não foi discutido, mas algum poderia já se iniciar ano que vem. Poderia ter um cronograma de entre três e cinco anos, dependendo do investimento", afirmou o executivo, acrescentando que a ideia é fechar a questão com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nos próximos meses.

Segundo a Arteris, os investimentos previstos nesses projetos são de 5,2 bilhões de reais e incluem faixa adicional da Autopista Litoral Sul e da Fernão dias e duplicação da Autopista Planalto Sul e da Autopista Fluminense.

Até o fim do prazo de todas as suas concessões, a previsão do total restante de investimentos da Arteris, incluindo os relacionados à manutenção, é de cerca de 7,5 bilhões de reais.

"O financiamento de novos projetos vai depender caso a caso. Muitos vão ter receita de pedágio. Cada um vai ter dívida, como debêntures de infraestrutura, ou, se não, aporte dos acionistas", disse o executivo.

Sobre novas concessões, Díaz disse que a Arteris aguarda a publicação de edital pelo governo federal para tomar uma decisão sobre uma eventual oferta.

Ele afirmou que o trecho rodoviário BR-476/153/282/480/PR/SC, que pode ser leiloado ainda neste ano, fica próximo de outras estradas administradas pela empresa.

"Podemos ser seletivos pela quantidade de investimento que temos, mas a vontade de continuar crescendo no país, nós temos", afirmou.

Na sua avaliação, a revisão da taxa de retorno das rodovias promovida pelo governo federal, de 7,2 para 9,2 por cento, coloca a rentabilidade esperada para os projetos, deixando-a mais coerente com a realidade do mercado.[nL1N0ZQ1P7]

LEI DOS CAMINHONEIROS

A Arteris segue preocupada sobre a rediscussão de termos contratuais de suas concessões, após a elevação dos limites de carga dos caminhões sancionada na Lei dos Caminhoneiros, no início do ano.[nL1N0W42MG]

Segunco Díaz, a empresa ainda está levantando os custos de manutenção extra de rodovias gerados pelo aumento de 5 para 10 por cento da tolerância aos limites de peso dos caminhões permitida pela lei e deve encaminhar à ANTT o resultado de suas análises nos próximos meses.

"Queremos apenas que se cumpra o que está escrito nos contratos (de concessão)", disse Díaz.

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