Dólar sobe 1%, mas continua abaixo de R$3,60, por preocupações com cena local

sexta-feira, 28 de agosto de 2015 17:21 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu 1 por cento ante o real nesta sexta-feira, mas permaneceu abaixo do patamar de 3,60 reais, refletindo o quadro local conturbado após dados fracos sobre a atividade e em meio a novos sinais de turbulências políticas no país.

A moeda norte-americana avançou 0,91 por cento, a 3,5853 reais na venda, após recuar nas duas últimas sessões. Na semana, o dólar subiu 2,55 por cento.

"Tivemos dados ruins tanto do lado fiscal como da atividade", disse o economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto.

Pela manhã, foi divulgado que a economia brasileira encolheu 1,9 por cento no segundo trimestre deste ano sobre os três meses anteriores e teve contração de 2,6 por cento contra um ano antes. Foram os piores resultados desde o primeiro trimestre de 2009 nas duas bases comparativas.

Em seguida, o Banco Central divulgou que o setor público brasileiro teve déficit primário de 10,019 bilhões de reais em julho, acumulando em 12 meses rombo equivalente a 0,89 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o pior da série histórica.

Além disso, a perspectiva da eventual volta da CPMF --proposta que vem sendo estudada pelo governo para ajudar o reequilíbrio das contas públicas-- provocou críticas intensas entre parlamentares e empresários. As notícias reforçaram preocupações com a estabilidade política do governo.

"A situação está feia, não importa para qual lado você olhar. E, cada dia que passa, parece que a trajetória do governo fica mais difícil", disse o operador de uma gestora de recursos nacional.

Nesta sexta-feira, alguns membros do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, reforçaram as expectativas de que os juros da maior economia do mundo podem ser elevados ainda neste ano, o que atrairia recursos hoje aplicados em outros países, como o Brasil. Isso ajudou o dólar a subir nesta sessão.

"Algumas declarações de membros do Fed sobre a alta ainda este ano renovaram um pouco o fôlego do dólar no mundo", disse Campos Neto, da Tendências.   Continuação...